Laço Comprido - Da lida diária para um esporte

As competições de Laço Comprido envolvem cerca de 9 mil praticantes na região. A atividade, além de ser uma confraternização, mantém viva a tradição gauchesca salvaguardando os valores familiares e preservando sempre a saúde e bem-estar dos animais envolvidos nas provas.

 

 

O Laço Comprido hoje é um esporte, mas nasceu na lida diária em muitas fazendas onde o peão precisa fazer o manejo do gado para marcar, curar feridas, carnear, entre outras atividades. Saindo do campo, a prática virou um momento de confraternização apresentando a destreza do laçador e a agilidade do cavalo. Hoje o Laço Comprido é praticado por peões e peoas, pois muitas mulheres também praticam este esporte, que vem ganhando adeptos pelo mundo afora. O diretor do CTG "Os Vaqueanos” de Ponta Grossa e integrante do Conselho Fiscal da 2ª RT (Região Tradicionalista Gaúcha do Paraná), Hélcio Nadal, explica que o esporte tem em torno de nove mil praticantes na região. Ele fala que a prova de Laço Comprido é realizada dentro de uma pista com aproximadamente 130x50m, tem dois bretes de solta e fundo e uma casinha aos 100 metros, onde ficam os juízes, limite este que o competidor deverá laçar seu boi.  Nadal também frisa que o laçador deve ter habilidades de montaria e técnicas aprendidas com muito treino, tanto do cavaleiro como da montaria. “ A primeira exigência para esse esporte é que o laçador saiba andar bem a cavalo e ter alguma noção de bovinos, pois a prova envolve animais que podem reagir de várias formas, tanto o seu cavalo como o boi. A segunda exigência é o treinamento, tanto do cavalo como do laçador, ambos devem estar bem treinados e em perfeita sintonia, para assim conseguirem ótimos resultados”, destaca o diretor do CTG. Na prova o laçador deve segurar o cavalo no brete até a saída do boi. O cavalo não deve entrar antes.  Se houver a saída antecipada do peão, o competidor é penalizado.
O diretor explica que a Armada pode ser positiva ou negativa. "Uma armada positiva é quando o boi é laçado pelas “aspas” (chifres) dentro do limite dos 100 metros da pista. Negativa é quando a laçada envolve qualquer outra parte do corpo do boi, erra a laçada, ultrapassar o limite dos 100 metros ou faz algum mal trato ao seu cavalo ou ao boi”, descreve Nadal.
A competição de Laço Comprido em rodeios gaúchos é realizada da seguinte forma, conforme descreve Nadal. “Temos um calendário anual de rodeios da nossa região onde cada laçador, das diversas categorias (Equipes, Patrão, Capataz, Prendas, Guris, Veteranos, etc) jogam cinco armadas (laçadas) cada um. Se houver empate nas quantidades os competidores continuam laçando até que saia um campeão na categoria ou no geral do rodeio para as equipes. As cinco armadas oficiais do rodeio são cumulativas, vão se somando até o final do ano onde os mais pontuados vão para uma espécie de semifinal que chamamos de Rebolo, onde são jogadas mais dez armadas cada laçador e somadas as positivas ao saldo anual do competidor. Os mais pontuados nas categorias formam a Seleção da Região para as finais do Campeonato Paranaense.
 

 Tradição - A prática do esporte do Laço Comprido e encontro dos inúmeros CTGs é uma forma de manter viva a tradição gauchesca do Sul do Brasil. O diretor Nadal acredita que o esporte é uma das maneiras de perpetuar a tradição. “O Brasil é um país territorialmente imenso e muito rico em diferentes culturas. Manter viva a nossa cultura aqui do sul e, sobretudo, presente no nosso dia a dia é importantíssimo, pois a “geração virtual” anda um pouco esquecida delas. Para se ter uma ideia, até o Laço Comprido já tem um game de computador”, revela Hélcio
No Paraná, devido à extensão territorial, o estado é dividido em dezessete Regiões Tradicionalistas (RTs), onde são realizadas as competições por território e que acabam se encontrando em finais no Campeonato Paranaense de Laço Comprido. “Cada região dessa é importante para manter vivo esse esporte e incentivar novos praticantes”, destaca Nadal.  Segundo ele, a final é realizada em uma das RTs. A final de 2015 foi realizada em Cascavel e contou com um expressivo número de competidores. “Em 2015, em Cascavel, teve a participação de 850 competidores na final do paranaense, mas durante o ano algo próximo a 9000 competidores na região disputam estas vagas. Seus campeões individuais formarão a Seleção Paranaense e estarão aptos a disputar o Campeonato Brasileiro de Laço Comprido disputado bi anualmente num estado escolhido em um  Congresso; em 2016 será no Mato Grosso”, ressalta.
 

 Destaque - Os competidores de Ponta Grossa tiveram destaque no evento em Cascavel e foram campeões em diversas categorias. Carlinhos Martins foi campeão na categoria Laço Patrão, do CTG Os Vaqueanos, montando Ok Amargo. Foi o único laçador da sua categoria a laçar os seus seis bois. No feminino as campeãs foram Jéssica Custódio, categoria Laço Prenda, CTG Os Vaqueanos, montando Colombina e na categoria Laço Prenda quem venceu foi Adriely Custódio do CTG Quero Quero, montando Olho Branco da Rio Bonito.
Calendário - O calendário para o ano de 2016 ainda não está completo e deve ser finalizado na primeira reunião anual da Diretoria da 2ª RT. “Até o momento temos agendado dois rodeios, que devem ser em Palmeira em agosto e Piraí do Sul em abril”, revela o diretor do CTG Os Vaqueanos.
O diretor Nadal espera que o esporte continue crescendo ano a ano e seja um ótimo momento de confraternização entre os tradicionalistas.  “Esperamos que neste ano o nosso Laço Comprido continue agregando muito mais participantes e aficcionados como cultura ou mesmo como esporte mas, acima de tudo, a união das famílias que são a maioria absoluta de freqüentadores e competidores nos rodeios gaúchos salvaguardando os valores familiares e preservando sempre a saúde e o bem estar dos animais envolvidos nas provas”, destaca.

 

 

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