Cavalgada da Esperança revive a Rota dos Tropeiros de Viamão à Sorocaba

Solidariedade motivou o tropeiro Kleber Ferreira da Costa a criar o projeto “Cavalgada da Esperança”. O objetivo é reviver o Caminho dos Tropeiros e ao mesmo tempo arrecadar fundos para APAE de Palmeira.


A Rota dos Tropeiros, ou Caminho de Viamão, foi uma rota aberta por volta de 1730, pelo tropeiro Cristovão Pereira de Abreu, que saiu de Viamão (RS) à Sorocaba (SP). Por este caminho, foram comercializados cavalo, mula, gado, suíno, entre outros produtos, e muitas cidades ao longo desta rota foram sendo construídas, pois muitos destes produtos eram importantes para o desenvolvimento econômico naquela época. Um exemplo que podemos comparar é o uso da mula com a importância que os tratores têm hoje, um sucesso na agricultura. No Paraná, o caminho deu origem às cidades como Rio Negro, Campo do Tenente, Lapa, Palmeira, Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Jaguariaíva, Sengés, Itararé até chegar em Sorocaba, tanto que, muitas cidades ficam entre 30 e 40 km de distância, trajeto que uma tropa consegue fazer tranquilamente sem ter muitas dificuldades. O caminho também ficou conhecido como Estrada Real ou Caminho Real do Viamão. Assim, de 1730 a 1915, a frequência das tropas era constante. Após o ano de 1915, as tropas foram ficando cada vez mais raras, mas é comum encontrar em muitas famílias bisavós e avós que foram tropeiros. Talvez devido à essa raiz que encontramos vários grupos de cavaleiros em inúmeras cidades que fazem das tropeadas uma confraternização para manter viva essa história. Solidariedade - Seguindo pelo Caminho dos Tropeiros, que tem a extensão de 1.500 quilômetros, encontramos o empresário do ramo de entretenimento Kleber Ferreira da Costa, o Bing Horse, natural de Palmeira (PR), refazendo este Caminho das Tropas, porém sem gado ou muares, mas com uma nobre missão na garupa: arrecadar fundos para a APAE com o projeto “Cavalgada da Esperança”. Ele fez o trajeto sozinho e com dois cavalos da raça Mangalarga Paulista, o Durango foi doado pelo Haras VJC e McGaiver pelo Haras Montfort. Ele explica que o objetivo da cavalgada é levantar fundos para a APAE de Palmeira, que precisa comprar alguns equipamentos. “Desde 1992 eu faço algum trabalho beneficente para atender entidades como Hospital do Câncer em Barretos, Angelina Caron, entre outros. O pessoal de minha cidade natal sempre me cobrou um evento para a APAE de Palmeira. Surgiu então a ideia de fazer a Rota dos Tropeiros, porque a cidade faz parte deste trajeto. Assim nasceu uma parceria minha com APAE e a União Tradicionalista de Palmeira (UTP). A proposta é divulgar a conta corrente da entidade e pedir doações em dinheiro e, com esse valor, equipar melhor a Instituição que cuida de muitas pessoas”, conta o tropeiro. Quanto aos recursos para viagem, ele explica que vem de recurso próprio e patrocínios como: selas, vitaminas para os cavalos, entre outros. Durante a cavalgada, a alimentação é basicamente a mesma dos tropeiros, ou seja, muito charque, linguiça, café, farofa, entre outros, que são degustados nas pausas para descanso. “É muito variada a minha situação. Em algumas noites acabo sendo recebido em fazendas, aí a alimentação é melhor, pois tenho encontrado muita gente solidária pelo caminho. Quando isso não acontece, acabo montando acampamento com barraca e fogueira em algum capão”, explica o tropeiro. Quando isso acontece, ele explica que a sela é seu travesseiro, os bacheiros seu colchão e a capa seu cobertor. “Na hora que chego já faço o fogo para espantar os mosquitos e outros animais. Os cavalos ficam pastando ao meu redor e na sequência lhes dou ração e vitaminas. Uso uma linha com três anzóis para pescar nos rios que encontro. Uso três, pois nunca se sabe o tamanho dos peixes que tem ali”, fala sorrindo Kleber. Quanto à segurança, é somente Deus. A única coisa que leva é uma faca que, segundo ele, já o salvou de diversas situações. “Tive problemas em que o cavalo caiu em um buraco e a corda estava enforcando o animal e acabei usando a faca para salvá-lo”, revela o tropeiro.

Mangalarga - Em relação aos cavalos da Raça Mangalarga Paulista, Kleber destaca a rusticidade, docilidade e, segundo ele, os gaúchos os descrevem como "canela de ferro e casco de aço”. “São verdadeiros guerreiros estes animais, pois andamos muitos quilômetros por trilhos de trem, enfrentamos túneis de dois quilômetros em escuridão total, ou seja, encontramos inúmeras dificuldades de piso e esses animais aguentaram bravamente. Não perderam peso, não desidrataram, se alimentam bem e possuem uma passada muito agradável, o que deixa todo o trajeto mais fácil para fazer”, descreve Kleber.


O tradicionalista de Jaguariaíva, Francilei Baitala de Oliveira, acredita que é importante dar apoio e suporte para as pessoas que desejam manter viva a tradição do tropeirismo. Tanto que ele, seus filhos e outros cavaleiros foram acompanhar a chegada do Tropeiro da Esperança a alguns quilômetros da cidade para recepcioná-lo. “A minha família como a de muitos também tem raiz no tropeirismo. Assim somos acostumados com os rodeios, os passeios de charrete, os bailes gauchescos e muitas das nossas cidades nasceram por causa desta rota. Portanto, manter viva essa memória, recordar de onde viemos é muito importante, através das cavalgadas que acontecem em Jaguariaíva, Piraí do Sul, Ponta Grossa, entre outras”, afirma Francilei. De Jaguariaíva ele seguirá para Sengés, Itararé e cidades seguintes, até Sorocaba. Em cada parada ele pede para que alguém da cidade o indique para alguém da próxima cidade, assim ele sempre tem um tropeiro o esperando. A previsão de chega da Cavalgada da Esperança em Sorocaba deve ser entre o dia 08 e 10 de fevereiro. Quem é - Kleber Ferreira da Costa, o Bing Horse, é natural de Palmeira. Trabalhou por 20 anos como dublê do Beto Carrero. Após a morte de Beto ele substituiu o artista no Parque até o ano de 2014. Atualmente ele é empresário do ramo de entretenimento. Para acompanhar mais detalhes da cavalgada até Sorocaba é só acessar a fanpage “Bing Horse”. Serviço - Caso queira colaborar com a APAE de Palmeira é só realizar depósito de qualquer valor no Banco Sicredi: Banco 748 - Agência: 0730 - Conta Corrente: 65.003-0 - CNPJ: 77.487.601/0001-03.

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