Javalis vem causando prejuízos nos Campos Gerais


Os produtores rurais, além de controlarem as pragas e ervas daninhas em suas plantações, também estão sofrendo com prejuízos causados pelos javalis. Para muitos, essa espécie pode ser considerada mais uma praga entre tantas que tiram o sono do produtor e causam danos não só na agricultura e pecuária, mas também ao meio ambiente. Além disso, podem causar riscos à saúde humana e também à economia, uma vez que, pequenas propriedades rurais possuem granjas de criação de suínos e esse mercado vem crescendo na região. Esses animais chegaram ao Brasil de duas formas: atravessando as fronteiras do Uruguai e Argentina e trazidos por criadores comerciais. Esses animais acabaram fugindo ou foram soltos. Desta forma, a distribuição do javali e seus híbridos vem crescendo de forma exponencial. Em dez anos, a partir do sul do país, ele já se espalhou por São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Bahia e Tocantins. Há relatos de que já hajam javalis também na região norte do país, mais precisamente no sul dos estados do Pará e Maranhão. Por todos os estados em que os javalis invadiram, estes vem causando grandes perdas agrícolas e destruição de fauna e flora nativas brasileiras. Na região dos Campos Gerais, esse animal também vem causando danos, como relata o coproprietário da fazenda Santa Mônica, Fabiano Rosas Rocha. A fazenda, localizada na divisa com o Parque Estadual de Vila Velha, possui 873 há e nela são desenvolvidas atividades de lavoura e pecuária, além de possuir também uma área de reserva natural, a Reserva Meia Lua. Segundo ele, o javali é uma espécie invasora que vem se alastrando e causando muitos prejuízos, em particular nas lavouras de milho, bem como em outras culturas. "Na última safra de milho utilizamos cercas elétricas, que reduziram as perdas, mas exigem constante reparo e não são totalmente eficientes. No momento, temos uma gleba de soja em que já calculamos ao menos 5% de perda em razão dos javalis, que fuçam e reviram as carreiras do plantio. E sei que outros produtores tiveram perdas muito mais significativas”, conta. O meio ambiente também vem sofrendo, segundo ele, pois os javalis são muito maiores do que as espécies nativas e não possuem um predador natural. "Na busca por alimento, chafurdam a terra e transformam riachos em banhados, soterrando nascentes e modificando cursos d´água - impactando toda a dinâmica do ecossistema”, explica. Ele espera que autoridades, ambientalistas e produtores rurais encontrem uma maneira de minimizar o problema. “Vejo que há nessa questão um oportuno consenso entre produtores rurais e ambientalistas sobre a necessidade e a urgência de controle do javali. Diante disso, forma-se um cenário propício para a criação de políticas públicas além de uma simples regulação da caça. Se o Estado destinasse algum recurso e um corpo técnico, poderia ser criada uma equipe de abate, com metodologia para que o controle seja realmente eficaz, estratégico e atenda a todos - sem onerar ou delegar mais essa tarefa ao produtor”, sugere Fabiano. Outro produtor, o coproprietário da Fazenda Santa Carolina em Imbituva, Gil de Paula Xavier Moro, também tem sofrido com os ataques desses animais em sua fazenda, o que causou muitos prejuízos econômicos. "Na safra 2014/15 estimo um prejuízo de R$ 100 mil. Na safra atual, ainda sendo colhida, já tive, somente em um talhão, 30% da área de milho destruída, representando 4 hectares de milho comidos pelos javalis. A preços atuais, isso representa R$ 25 mil de prejuízo, somente nesta área. O detalhe curioso é que a plantação fica a 500 m da sede da fazenda, mostrando a ousadia dos animais”, relata Gil. Ele acredita que é necessária uma flexibilização da legislação para facilitar a caça e ou abate desses animais. "Hoje em dia o processo é muito burocrático e caro para obter as licenças necessárias à caça”, reclama. ONG - Existe em Santa Catarina uma organização não governamental, a Brasil Safari Clube, que é formada por caçadores conservacionistas, que tem como objetivo a promoção do bem-estar social e do desenvolvimento regional, mediante o estímulo à conservação da natureza, o incentivo à pesquisa e ao desenvolvimento do manejo da vida selvagem, além do combate ao desequilíbrio ecológico e desmatamento. O presidente do clube, o médico Cristian Gollo de Oliveira, explica que o principal problema é a destruição maciça de plantações de grãos, especialmente o milho. “Além disso, os suínos selvagens são capazes de transmitir a brucelose, leptospirose, febre aftosa, melioidosis (Pseudomonas pseudomallei), tuberculose, sparganosis (Spirometra erinacei), parvovírus suíno, e encefalite japonesa, colocando em risco nossos rebanhos”, descreve. Outro problema, segundo ele, é que esses animais também são conhecidos por espalhar a doença vesiculosa dos suínos, a doença de Aujeszky e também a peste suína (também chamada "cólera do porco”). “Também temos registros de predação de rebanhos pelos javalis, principalmente ovinos. Além disso, o fuçar dos javalis perturba a disseminação de sementes, reduz a vegetação de superfície e altera o solo”, relata o presidente. O presidente acredita que o controle dos javalis é uma questão de sanidade e também econômica, uma vez que, muitos municípios possuem a suinocultura como uma alavanca da economia. “A experiência internacional, incluindo países desenvolvidos, mostra que a forma de controle mais efetiva é através da regulamentação da caça. O Javali está entre as 100 espécies exóticas mais nocivas do planeta, segundo a IUCN (União Internacional pela Conservação da Natureza), e a necessidade de controle não é uma exclusividade do Brasil”, defende o presidente. Segundo ele, não é viável castrar e soltar em um santuário como alguns defendem. “Eles são milhares, difíceis de pegar, se multiplicam geometricamente e destroem o ecossistema por onde passam. O custo de captura, transporte, alimentação, castração e cuidados sanitários seriam inviáveis. Sem falar que, castrar e soltar novamente o javali na natureza, onívoro como é, continuaria predando nossos animais nativos (alguns em risco de extinção), nossa agricultura, nossas tão necessárias nascentes, trazendo riscos de doenças aos seres humanos e seus rebanhos, e isto seria uma medida muito inconsequente e de pouca inteligência”, argumenta. Abate - Para fazer o abate deste animal devem ser seguidas algumas normas que estão na Portaria nº 51 - Colog, de 08 de setembro de 2015. As armas liberadas para o controle de exóticos invasores não podem ter calibre inferior ao .357 e devem ter energia mínima de 550 libras-pé (746 Joules) na saída do cano. “Só são permitidas armas de fogo devidamente legalizadas e as guias de trânsito destas armas são fornecidas pelo Exército Brasileiro para os controladores devidamente legalizados no IBAMA e com Certificado de Registro (CR) em dia”, afirma o presidente. A Associação atende produtores de outros estados para fazer o abate dos javalis de forma segura e dentro da lei. "Temos filiados controladores em diversos estados do país. Se houverem produtores sofrendo danos, pedimos que nos contatem, podemos indicar filiados legalizados para o controle, pessoas de boa fé em prol da preservação da natureza e da proteção das produções agrícolas. Também temos parceiros comerciais que ajudam a facilitar o processo de legalização do produtor rural que quiser se tornar um controlador”, anuncia Cristian. Segundo ele, como não se trata de caça esportiva e sim controle de espécie exótica nociva, o controle não prevê temporada específica. O controle pode ser realizado durante todo o ano. Serviço - Para saber mais sofre o clube é só entrar no site: http://www.brasilsafariclube.com.br.

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