Aveia preta Iapar 61: Uma opção de forrageira de inverno

 

A aveia e o azevém tem despertado cada vez mais a atenção dos pecuaristas como forrageiras de inverno capazes de suprir as necessidades de produção de pastagens de qualidade oferecidas aos bovinos e ovinos. O doutor e pesquisador do Iapar, Elir de Oliveira, explica que isso ocorre porque durante o outono, inverno e início da primavera, as forrageiras tropicais perenes deixam de produzir, em razão de baixas temperaturas e redução do fotoperíodo. "Neste período, as pastagens perenes não produzem matéria seca suficiente, além de apresentarem baixos teores de proteína. Não havendo suplementação com silagem e/ou feno e sem as forrageiras de inverno, ocorrerá perda de peso dos animais, menor produção de leite e outras consequências negativas de caráter zootécnico, como atraso no cio de novilhas e vacas, menor peso ao desmame dos bezerros, queda na lotação das pastagens e elevação da idade de abate, entre outras desvantagens”, afirma.
Escolha - Ele salienta que a escolha da espécie e da cultivar deve ser criteriosa, optando por aquela que melhor se adapte às condições de solo e clima da região. "Entre as aveias forrageiras há dezenas de cultivares de aveia preta (Avena strigosa) e cultivares de aveia branca forrageira (Avena sativa). A aveia preta IAPAR 61 se destaca entre as pretas, pois seu ciclo (emergência ao florescimento) é de 135-140 dias, o que permite de oito a dez ciclos de pastejo, enquanto que as demais cultivares de aveia preta disponíveis no mercado florescem aos 85-95 dias e permitem de três a quatro ciclos de pastejo”, descreve Elir.
Manejo - Uma das principais causas de degradação das pastagens é o superpastejo. "Na aveia preta IAPAR 61, por seu hábito de crescimento semi-ereto, o superpastejo é danoso, prolongando o intervalo entre pastejos, podendo provocar a morte de perfilhos, quando as reservas se esgotam e o tecido de crescimento é decapitado pelo bocado do animal. A primeira entrada dos animais no piquete deve ocorrer quando as plantas atingem 30-35 cm de altura ou quando há a disponibilidade de 1,0 kg de matéria verde fresca por metro quadrado. Isso pode ocorrer aos 35-45 dias após a emergência, dependendo da adubação, fertilidade do solo e condições climáticas. É importante observar que as plantas com 35 dias possuem cerca de 87% de água e baixo teor de fibra”, ensina o doutor Elir. Ele também chama atenção quanto à saída dos animais do piquete que é tão ou mais importante do que o momento da entrada. "Nos primeiros dois pastejos deve-se respeitar a altura de 10-12 cm do solo. A partir do terceiro pastejo, os animais devem ser retirados do piquete quando as plantas se apresentam com 15 cm de altura. Com este manejo, o período de descanso de cada piquete será de 18-21 dias, suportando uma lotação de 2-3 UA por hectare (UA=Unidade Animal = 450 kg de peso vivo)”, explica Elir.
Adubação da aveia - O pesquisador relata que o uso de aveia de ciclo longo, como IAPAR 61, garante o retorno do capital investido em adubação. Pois mesmo que ocorra algum período de déficit hídrico na fase vegetativa, o material tem todo o potencial para recuperação de seu potencial produtivo como forrageira. “Qualquer recomendação de adubação deve ser precedida de análise do solo. Normalmente nos solos onde se cultiva soja e milho há vários anos, os teores de fósforo, potássio e a percentagem de saturação por bases já se encontram em níveis adequados. Nestes casos, a preocupação maior deve ser com a adubação nitrogenada. A fonte de nitrogênio pode ser via sulfato de amônio, nitrato de potássio, nitrocálcio ou ureia protegida. Quando a opção for pela ureia comum, é desejável que ocorra precipitação de, pelos menos, 10 mm. Assim, será evitada a perda excessiva de nitrogênio por volatilização”, esclarece.
Segundo ele, visando maximizar o potencial produtivo da aveia preta IAPAR 61, a dosagem de nitrogênio a ser aplicada pode variar de 90 a 120 kg por hectare em doses subdivididas, sendo a primeira após 15 dias da emergência, a segunda logo após o segundo pastejo e a terceira aplicação logo após o quarto pastejo. "A aveia preta IAPAR 61, quando bem adubada e manejada, oferece alimento de qualidade com 20-23% de proteína bruta, produz um total de sete a oito toneladas de matéria seca por hectare em pastejos sucessivos ou cerca de doze a quinze toneladas por hectare em corte único, no florescimento”, destaca.

 

Consórcio de aveia IAPAR 61
com centeio IPR 89 e plantio direto na palha

 

 

Para o doutor Elir, o sistema de integração lavoura e pecuária apresenta grande potencial de expansão no Paraná. Entretanto, muitos produtores ainda alegam que o uso de áreas de produção de grãos afeta o rendimento de soja devido à compactação do solo. "Essa situação pode ocorrer apenas se houver manejo inadequado do sistema. É importante deixar palhada para a semeadura direta da soja. A ciclagem de nutrientes e o aumento da micro e macrofauna no solo, promovida pela deposição das fezes e urinas dos animais, resultam em aumento da produção de grãos. Trabalhos de pesquisa em andamento no Iapar – Polo Regional Oeste, apontam aumento de 7% no rendimento de grãos de soja em áreas pastejadas no inverno, comparado com áreas onde não houve pastejo”, explica.
Assim, segundo ele, para aumentar a deposição de palhada no solo é recomendável o consórcio de aveia IAPAR 61 com centeio IPR 89. "O centeio é muito precoce, germina 3-4 dias antes da aveia, tem rápido crescimento, possui maior teor de fibra que a aveia e permite antecipar o pastejo em 10 dias. No início, os animais pastejam o centeio e após o segundo ou terceiro pastejo rejeitam o centeio, selecionando o pastejo na aveia. Com isso, na primavera o centeio deixa depositado no solo cerca de três toneladas de matéria seca por hectare, viabilizando o sistema de plantio direto na palha. O consórcio de aveia e centeio requer a mistura de 50 kg de aveia IAPAR 61 com 50 kg de centeio IPR 89. O primeiro pastejo deve ocorrer quando o centeio atingir 30-35 cm de altura”, recomenda.

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