O Purunã é um animal rústico e adaptado ao clima da região

O Purunã é composto de quatro raças: Charolês, Caracu, Aberdeen Angus e Canchin e traz em seu sangue rusticidade e precocidade.
 

 Parada importante do Rally da Pecuária foi na Fazenda Modelo do Iapar, onde foi apresentada a genética da raça Purunã, como foi sua formação e suas características. A raça nasceu em Ponta Grossa em 1980 e, hoje com 35 anos, conta com 141 criadores em diversos lugares do Brasil. O Purunã é um animal composto de quatro raças e traz em seu sangue rusticidade e precocidade. O gado é formado pelas raças Charolês, Caracu, Aberdeen Angus e Canchin. Traz em seu sangue rusticidade e precocidade e pode ser usado em cruzamentos industriais. Em seu sangue existe um avanço genético, trazendo o que há de melhor em cada raça. Além do mais, como possui um rebanho fundador, nunca será fechado. Desta forma, evita problemas de consanguinidade. Este animal adapta-se muito bem, tanto ao calor como ao frio, mostrando assim sua rusticidade e tolerância ao carrapato e outros parasitas. Possui uma ótima precocidade sexual e, quanto à carcaça, tem boa quantidade de gordura, entre 26 e 28% do peso, e carne macia de ótima qualidade.
 

O técnico agrícola e administrador da Fazenda Modelo do Iapar em Ponta Grossa, João Batista de Oliveira Motta, explica que o sucesso do Purunã vem de uma equipe multidisciplinar, coordenado pelo Dr. Daniel Perotto e outro grande responsável pela criação da raça, o zootecnista José Luís Moletta, há 35 anos. João Motta ressalta que o objetivo dos pesquisadores é melhorar o desenvolvimento do gado de corte do Paraná. Foram usadas inicialmente duas raças: Charolês e Caracu. “Fizemos o cruzamento com Charolês x Caracu, depois Caracu x Charolês. O objetivo foi realizar cruzamento alternado. Também fizemos Canchim com Aberdeen Angus. Ao todo, fizemos 15 cruzamentos e finalizamos esse composto de quatro raças em 2002”, descreve. Ele lembra que o Canchin é uma raça desenvolvida pela Embrapa e tem origem zebuína em seu sangue. “Sendo assim, o Purunã ficou com 25% de Caracu, 25% de Charolês, 40% de Canchim, 25% de Aberdeen Angus e 10% de Nelore, que vem no sangue do Canchim”, frisa.  Ele destaca que a fórmula oferece precocidade e qualidade de peso que vem do Aberdeen Angus, rusticidade do Caracu e Nelore, velocidade e ganho de peso do Charolês. Motta esclarece que levaram quinze anos só em cruzamentos para definir a raça. “Ela foi concluída em 2002 e, a partir deste momento, passamos ao produtor como sendo uma raça. O certificado da raça, Certificado Especial de Identificação e Produção (CEIP), emitido pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), saiu em 2012”, afirma.

Pesquisadores e desenvolvedores do Purunã: José Luís Moletta, Dr. Daniel Perotto e João Batista de Oliveira Motta.

 

 

O macho é precoce e as fêmeas são boas mães, com ótima produção de leite

 

O doutor em produção animal, José Luís Moletta, destaca que o manejo do Purunã não é diferente de outras raças, ou seja, também necessita de um olhar atento a vacinações, alimentação e sanidade do animal. “É um animal precoce, tem boa produção de carne e é bastante manso”, enfatiza. Quanto à maternidade, o doutor ressalta que as fêmeas são boas mães e produzem um bom leite para os bezerros. “As fêmeas tem leite mais que o suficiente para manter os terneiros. Há bezerros com três e quatro meses em campo, com um ótimo desenvolvimento, apenas com uma mamada dentro do manejo reprodutivo. Também não tivemos nenhum relato de dificuldade no parto, tanto nas fêmeas Purunã como nas cruzas com o touro Purunã em gado anelorado”, destaca.
O criador precisa ficar atento, pois o animal é tão precoce que as fêmeas já iniciam o ciclo reprodutivo com dez para doze meses. “Tanto as fêmeas como os machos possuem uma precocidade reprodutiva. Porém, o criador deve tomar cuidado para não pôr as matrizes para reproduzir muito jovem, pois poderá ter problemas do primeiro para o segundo parto. O correto é colocá-las para reprodução entre quinze e vinte meses. Já os machos, entre dezoito e vinte meses, já podem ser usados como touros. Tanto que vendemos animais com exame andrológico pronto para os criadores com essa idade”, ressalta Molleta.
Abate - Em relação ao abate, Molleta destaca que é muito subjetivo determinar um período, pois depende muito do manejo. “Aqui nós trabalhamos com duas linhas de terminação. A superprecoce, com confinamento entre quinze e dezesseis meses, com 17 a 18 arrobas. Já trabalhando com manejo de pastagem, o tempo vai para 24 a 30 meses, prontos para o abate. Porém, a idade para abate depende também do manejo do criador”, revela. Em relação à pelagem, os criadores buscam uma pelagem uniforme, o que auxilia na aceitação da raça. Como o Purunã é um composto, as pelagens das raças formadoras ainda imprimem cor. Porém, a seleção caminha dando preferência a animais de pelagem baia e vermelha clara.

 Como iniciar - Quem está interessado em criar a raça, de acordo com Molleta, tem duas opções: uma com animais puros de origem e a outra por cruzamento. “Se você deseja ser um criador de Purunã, precisa ter no mínimo vinte matrizes e um touro para formar um bom rebanho. Outro caminho é ter matrizes não necessariamente de uma única raça. Vamos dizer que seja uma vacada anelorada. O produtor pode levar um touro Purunã e iniciar sua criação segurando as fêmeas. Assim, ele tem meio sangue Purunã e outra raça. Depois pega outro touro Purunã e coloca em cima desse meio sangue e segura as fêmeas novamente. Assim, você tem um 3/4 e coloca outro touro Purunã e segura as fêmeas que terá sangue 7/8. Novamente coloca outro touro Purunã e chega ao 15/16 que é o Purunã puro por cruza”, descreve Molleta. Segundo ele, a segunda opção é interessante porque o produtor não coloca fora suas matrizes.
Serviço - Mais informações na Estação Experimental Fazenda-Modelo. Av. Euzébio de Queiroz, s/n - Uvaranas - Cx 129 - Cep: 84001-970 - Ponta Grossa - PR - Fone 42 - 3226 - 2773 - email: efmiapar@iapar.br

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