ONTEM ENTRE RIOS, HOJE GUARAGI

 Ponta Grossa, localizada na região dos Campos Gerais, destaca-se devido à sua posição geográfica pela facilidade de acesso a todas as regiões do Estado. Um importante entroncamento rodo-ferroviário, a cidade tem suas raízes no tropeirismo.
Atualmente o município, tem se configurado como um polo industrial do estado do Paraná, além de sua histórica produção na agropecuária. Conta com uma população estimada de 337.865 habitantes (segundo o IBGE), distribuída em seus distritos administrativos de Ponta Grossa (a sede), Guaragi, Itaiacoca, Piriquitos e Uvaia.
Na extensão territorial rural do município de Ponta Grossa, localizado ao sul, está o distrito de Guaragi, anexado a este, pela Lei Estadual nº 3.315, de 11 de setembro de 1957.
O Distrito pontagrossense de Guaragi já foi um município e muito próspero, se comparado a outros municípios da época.
Ao contrário de Ponta Grossa e outros municípios dos Campos Gerais, o extinto município de Entre Rios, hoje Guaragi, não surgiu de caminhos de tropas, mas também foi pouso, só que de outros viajantes. Os desbravadores que buscavam os Campos de Guarapuava.
Muitas foram as expedições militares ao interior do Paraná, entre elas as que foram organizadas pelo Coronel Afonso Botelho que, além da busca pelo ouro, também almejavam “abrir no sertão uma vereda para descobrir aqueles campos”, a região de Guarapuava, como afirmava o coronel Botelho.
Em 26 de julho de 1770 foi organizada a sexta expedição do coronel Afonso Botelho, esta chefiada pelo Guarda Mor Martins Lustoza que “com 18 camaradas entra pelo Carrapatos e passa pelo rio Guaraúna”, com o intuito de chegar aos campos desconhecidos de Guarapuava.
Nesta expedição, os desbravadores abriram picadas no sertão adentro e por onde passavam deixavam roças com algumas pessoas. Surgindo dessa forma, pequenos pousos, como em Carrapatos, o princípio gerador do Município de Entre Rios.
Carrapatos, era parte da sesmaria pertencente a Manoel Gonçalves de Aguiar e que compreendia uma vasta extensão de terra localizada à margem esquerda do rio Tibagi, entre os rios Caniú e Guaraúna. Entre 1771 e 1773, o povoado de Carrapatos serviu de base de operações para a conquista de Guarapuava, tornou-se a mais importante rota, como afirma Paulo Lange: “Carrapatos, por longo período, constituiu-se importante encruzilhada, tendo sido base de operações para a conquista de Guarapuava. Em Carrapatos cruzavam os primeiros caminhos vindo de Guarapuava e União da Vitória, Palmeir, dirigindo-se para Sorocaba, passando pelo sítio de Ponta Grossa, Carambeí e Castro”.
Já, quando da passagem de Saint-Hilaire, ele referencia dona Balbina como proprietária da Fazenda Carrapatos e descreve modos, costumes e destaca a beleza da região: “Uma légua e meia depois de ter atravessado o rio cheguei à Fazenda Carrapatos, onde dormi e que pertencia à irmã do proprietário de Carambeí. O marido achava-se ausente, mas essa circunstância não impediu sua mulher de me receber pessoalmente e me cumular de gentilezas.”
Esta povoação foi paulatinamente crescendo e sendo povoada, graças ao ir e vir de viajantes e mercadorias. Isso contribuiu para que a localidade se constitui-se em um povoado nominado de Bela Vista, saudação a sua natureza. Natureza essa retratada em versos, pelo poeta Porthus Mariani: “Deslumbrados pela paisagem maravilhosa da imponente majestade do sertão, deliberaram fundar um povoado: povoado de Bela Vista, em homenagem à natureza exuberante, em reverência ao Criador”.
Em 4 de outubro de 1890, pelo Decreto Lei nº 117 tornou-se o Municío de Entre Rios, devido sua localização geográfica, entre os rios Tibagi, ao norte; Guaraúna, a oeste; Santa Rita, a leste e Turvo ao sul.
No Álbum do Paraná de 1923, escreve-se: “Entre Rios é um próspero e florescente município, situado em um recanto pitoresco, onde a natureza, ao formar-se, andava certamente a brincar”.
Sua economia baseada no plantio de cereais, na criação de gado e na extração de erva-mate e da madeira “principal fonte de riqueza, constituída pela variedade das suas madeiras que se exportam em larga escala, abundando no município engenhos de serra e estabelecimentos industriaes de firmas reputadas”. Estas atividades garantiam ao município um “apreciável contingente de rendas”, fortalecidas pelo comercio com outros centros, facilitado pela estrada de ferro que passava pelo município e levava seus produtos, bem como, trazia mercadorias e pessoas.
Em 1916, a população, como mostra o censo, estava calculada em “6.290 almas”, que morava,, na maioria, em casas de madeira, com grandes varandas, cobertas com tabuinhas, feitas de madeira lascada. Na cozinha, as panelas, bem areadas eram penduradas na parede, ao lado de panos bordados com paisagens de animais coloridos e com trechos bíblicos ou singelas frases otimistas, incentivando as refeições.
A iluminação era feitas por candeeiros e lanternas abastecidas por querosene, mais tarde, por óleo.
Os carroções puxados por bois ou cavalos completavam a paisagem com seu ir e vir, no transporte da madeira desde o corte, o beneficiamento e o posterior comercio das tábuas e dos cabos de vassoura, como afirmava o professor Alfredo Klass: “Saía de nossa serraria cerca de 12 carros de bois a cada dois dias, carregados de madeira, com destino a estação ferroviária”.
Nas primeiras décadas do século XX, Entre Rios teve uma vida social movimentada, contando com clubes sociais que promoviam animados saraus, grupos de artes cênicas, banda municipal, espaços de encontros ao final da tarde, como a praça da igreja matriz e seu coreto, tudo registrado na páginas de “O Serrote”, jornal local.
Mas a madeira era pouca e se acabou...
A exploração compulsiva da mata nativa, acrescida do desenvolvimento pujante do vizinho município de Ponta Grossa foram fatores decisivos no declínio do pitoresco Município de Entre Rios e devido à pouca renda foi extinto em 1939, sendo incorporado ao município de Palmeira. Como havia uma localidade homônima no país, trocaram a denominação para Guaragi.
Sobre a mudança do nome, dona Nely Oberg Mika, contava orgulhosa que teria sido seu pai, o senhor Sylvio Oberg, a associar o Guaraúna ao Tibagi.
Nessa época muitos moradores deixaram suas casas em busca de uma vida melhor e aqueles que permaneceram decidiram, por meio de plebiscito que o território fosse incorporado ao município de Ponta Grossa.
Enquanto Distrito pontagrossense, Guaragi retomou seu desenvolvimento baseado principalmente na atividade agropecuária, o distrito já foi considerado a bacia leiteira do município de Ponta Grossa e se destaca na produção de grãos especialmente o soja e o milho, mas também tem o cultivo do feijão e da batata, além de diversos pequenos produtores que dividem espaço entre a criação de aves, de suínos e a apicultura e diversos produtos.
O distrito é formado por um período urbano e por pequenas localidades a de Roxo Roiz, do Sutil, de Santa Cruz, de Faxinal Grande, do Taboleiro e do Rincão da Lage. A vila do distrito de Guaragi possui uma estrutura simples, sendo asfaltada apenas a rua principal, pois se trata da PR 438, que corta a área considerada urbana. Na sede do distrito encontram-se o Colégio Estadual Munhoz da Rocha, a Escola Municipal Professora Maria Elvira Justus Schimidt, esta atende os alunos em período integral e desenvolve além dos conteúdos propostos na matriz, projetos de enriquecimento curricular, unidade de saúde, unidade da Agência de Correios (funciona na Sub Prefeitura), além de algumas casas comerciais como o famoso Bar do Pelé e os pontos de encontro como as pracinhas.
Hoje, Guaragi é um lugar pacato, seus moradores são receptivos e trabalhadores, possui dificuldades como qualquer outra região, por isso contamos com o trabalho do poder público e o envolvimento da comunidade.

Por
Adriana Aparecida Antoniacomi

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