Ovinocultura de resultados depende de gestão

 “O criador tem que entender quem são e como se relacionam os principais agentes da cadeia de ovinocultura, como produtor, cooperativa, frigorífico e consumidor, para produzir cordeiros com qualidade." Zootecnista e chefe executivo da CordeiroBiz, Rafael dos Santos

 

Para ter uma ovinocultura com resultados, segundo o zootecnista e chefe executivo da CordeiroBiz, Rafael dos Santos, existe a necessidade de um trabalho de gestão de qualidade na cadeia da ovinocultura. “O criador precisa observar quem são os principais agentes deste trilho, como produtor, cooperativa, frigorífico e consumidor. Portanto, existe a necessidade de entender como se relacionam para que o produto final possa chegar à mesa com qualidade”, descreve. Segundo ele, compreender essas relações é vital para a cadeia da ovinocultura, pois o principal desafio encontrado no segmento é abastecer o mercado. “Mas, para atender o mercado, é preciso entender que existe uma etapa primordial dentro da fazenda, que é a produção do animal. Portanto, a grande dificuldade é produzir esse animal dentro da qualidade que o mercado exige, ou seja, tamanho de carcaça, idade, sabor, entre outros detalhes”, descreve Rafael. Ele destaca que o volume da produção brasileira não consegue atender o mercado interno e por isso o Brasil importa muita carne do Uruguai. “Isso acontece porque o problema se encontra na produção da fazenda, que é insuficiente por não utilizarem tecnologia, manejo correto e pela falta de apoio para os criadores. Portanto, precisamos conectar esses pontos para termos uma ovinocultura forte e rentável. Assim, encontros como este ajudam a fortalecer e dar um norte para os criadores de ovinos”, ressalta o zootecnista.
 

Técnica - Para o consultor, o que dificulta o avanço da ovinocultura é a técnica, ou seja, como se produzem os ovinos, qual o sistema alimentar mais adequado ao rebanho, qual o tamanho da área, quantas matrizes e reprodutores, quais raças ou cruzamentos são ideais. Questões que devem ser feitas antes de iniciar a atividade e reveladas de tempo em tempo. “A ovelha precisa, antes de tudo, de um sistema alimentar que venha suprir as necessidades de sua energia. Uma ovelha bem alimentada fará com que seu sistema entenda que ela pode reproduzir e, em alguns casos, até dois cordeiros por pé. Portanto, alimentação é muito importante. Depois que pensamos em alimentação, focamos no melhoramento genético, mas o correto é ambas andarem juntas”, frisa. Ele destaca que um erro comum na ovinocultura é priorizar o melhoramento genético e esquecer o planejamento alimentar e nutricional, portanto, dentro da porteira este é o principal ajuste. Outro ponto que merece atenção é em relação à mão de obra, ou seja, entender muito bem o manejo. “O manejo adequado influencia no resultado. Encontramos em diversos lugares produtores que possuem um grande volume de matrizes, porém, não produzem cordeiros com qualidade. Cito como exemplo um criador com mil ovelhas e na verdade somente 500 estão criando. Assim, quando for fechar as contas isso não se paga. Portanto, é preciso ver onde está a falha e corrigi-la. Quando não corrigida, muitos criadores deixam a atividade por falharem no manejo e no sistema nutricional”, descreve Rafael.
Mercado - Uma dica que o zootecnista deixa é a necessidade da união de criadores, sejam pequenos ou grandes, através de associações ou cooperativas para atender o mercado e se fortalecerem também no aspecto tecnológico. “Quando os criadores estão unidos podem planejar a produção, o uso de tecnologias, trocar experiências e conseguir fazer volume para entregar cordeiros no mercado. A indústria vê isso com bons olhos e as engrenagens começam a rodar, porém, o criador deve ficar atento para o tipo de carne que o mercado deseja”, frisa.

 

 

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