Plantio Direto com qualidade é importante para preservar o solo


O manejo de solo é muito importante, não só para a produtividade, mas também para que o solo seja preservado para futuras gerações.


Quando falamos de Plantio Direto sempre nos lembramos de Ponta Grossa e como essa técnica faz a diferença, tanto para conservação do solo como para maiores índices de produtividade para todas as regiões. Porém, o que tem se visto ao longo dos anos é que alguns agricultores não tem utilizado corretamente a técnica. Para discutir sobre o assunto o Sindicato Rural de Ponta Grossa e o CSA(Conselho de Sanidade Agropecuária de Ponta Grossa, trouxeram a engenheira agrônoma e pesquisadora do Iapar, Lutécia Beatriz dos Santos Canalli, para falar do assunto. Manejo consciente - O manejo de solo é muito importante não só para a produtividade, mas também para que o solo seja preservado para futuras gerações. Por isso, segundo a pesquisadora, é importante que o agricultor faça um Plantio Direto com qualidade. "Plantio Direto com qualidade implica necessariamente em rotação de culturas, revolver minimamente o solo e mantê-lo sempre protegido com palha ou com plantas em desenvolvimento”, defende Lutécia. Ela explica que a rotação de culturas é o planejamento da lavoura por um ciclo mínimo de três anos, onde as plantas de cobertura entram no sistema quando o agricultor não está usando a área para a produção comercial. "Assim, o produtor não deve deixar a área em pousio, o que seria a pior situação, pois pode abrir caminho para erosão e para a infestação de plantas daninhas”, argumenta. Segundo Lutécia, o Iapar tem incentivado os agricultores a usarem as plantas de cobertura, conhecidas também como adubos verdes, pois possuem diversas características que trazem benefícios para o solo ou para o cultivo subsequente. “Um exemplo é que as leguminosas fixam nitrogênio, outras dão boa consistência de palhada, como é o caso das gramíneas, proporcionando uma boa cobertura do solo”, cita a pesquisadora. Ela destaca que é importante estar atento às características de cada planta de cobertura para fazer uso adequado em cada situação, promovendo melhorias no solo tanto em favor da preservação como da produtividade. “Por exemplo, ao invés de entrarmos com equipamento para descompactar o solo, podemos usar o nabo forrageiro na rotação para uma escarificação natural do solo. Isso trará benefícios para infiltração e armazenamento de água no solo e desenvolvimento radicular dos cultivos seguintes”, explica. A pesquisadora lembra que cada planta tem um sistema radicular diferente, algumas com raízes profundas e vigorosas, outras com raízes mais finas e espalhadas e que isso ajuda na estruturação do solo e também na ciclagem de nutrientes. O solo melhor estruturado tem boa porosidade, com boa distribuição de macro e microporos por onde a água penetra mais facilmente, ficando parte armazenada nos microporos do solo e o restante infiltra através dos macroporos e vai recarregar o lençol freático, águas de subsuperfície que mantém as nascentes de água. Além disso, um solo bem estruturado facilita o desenvolvimento radicular das culturas. “Quando manejamos essas plantas, a palha e as raízes sobre o solo se decompõem, liberando nutrientes que foram absorvidos pelas plantas de cobertura e que agora são liberados no solo para serem aproveitados pelos cultivos comerciais”, alega a pesquisadora. Desta forma, com o passar dos anos, o produtor percebe que a área vai ficando mais fértil e os cultivos tendem a apresentar melhores produtividades. Lutécia destaca ainda, que o agricultor deve planejar a rotação de culturas com o objetivo de melhorar a fertilidade do solo e obter maior produtividade e, ao mesmo tempo, preservar o solo para que as gerações futuras continuem produzindo neste mesmo solo. “O produtor precisa ter uma visão ampla e ganhar no conjunto, com o sistema de rotação e não só com uma determinada cultura porque ela está com preço bom naquele ano. O uso contínuo da área, sempre com a mesma cultura ano após ano, faz com que pragas e doenças se instalem e isto torna o custo de produção muito alto, pois para obter boa produtividade o produtor acaba precisando usar muito agrotóxico. Nem é preciso dizer que isto é a pior situação tanto para o produtor que manipula o agrotóxico, e, portanto, fica diretamente exposto ao veneno por muito tempo como também para o ambiente, que recebe uma carga grande de veneno. Este é o caso clássico da soja atualmente”, ressalta Lutécia.

Consórcio de plantas


"As plantas de cobertura podem ser utilizadas também em consórcio, assim é possível fazer com que cada planta deixe no solo seu benefício." Engenheira agrônoma e pesquisadora do Iapar, Lutécia Beatriz dos Santos Canalli

A pesquisadora explica que as plantas de cobertura podem ser utilizadas também em consórcio. Assim é possível fazer com que cada planta deixe no solo seu benefício e, quando juntas, temos o melhor de cada uma ao mesmo tempo. “Para consorciar ou misturar as plantas de cobertura é importante conhecer suas características e seus benefícios, pois isso faz com que o produtor possa utilizá-las da melhor forma possível, trazendo para a lavoura os benefícios que necessita. Cito como exemplo o consórcio de aveia preta, nabo forrageiro e a ervilhaca, onde estamos trazendo para o solo a palhada consistente da aveia, a qual demora a se decompor e, portanto, manterá o solo protegido por bastante palha e por um longo tempo. Já o nabo trabalhará a descompactação do solo e a ervilhaca irá fixar nitrogênio, deixando o solo rico neste nutriente após o manejo da cobertura. Sendo assim, a cultura subsequente poderá ter um melhor desenvolvimento e o produtor não precisará gastar tanto com alguns produtos”, argumenta. Lutécia destaca que o agricultor deve rever como vem fazendo seu manejo de solo e como está sendo seu custo de produção e seu resultado. “Quando a terra é bem cuidada, ela sempre responderá bem. Já quando maltratada, o resultado é visível, seja na produtividade ou nas erosões que podem aparecer na lavoura. Aqueles agricultores que optaram por um planejamento de rotação têm percebido resultados na produtividade”, justifica a pesquisadora. Visão - O presidente do Comder, Alceu Becker, acredita que o produtor deve se preocupar e encontrar técnicas que ajudem a preservar o solo. “O Plantio Direto é uma tecnologia que está presente na nossa região há 35 anos, mas esta técnica precisa ser qualificada de tempo em tempo. Pois em algumas áreas temos praticamente uma monocultura, principalmente da soja e assim deixamos de lado o manejo correto. Portanto, é importante lembrar ao agricultor que ele deve aprimorar a técnica do Plantio Direto com a rotação de cultura e ter uma constante busca do conhecimento, pois precisamos ter um Plantio Direto com qualidade”, afirma. O presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Gustavo Ribas Netto, também compartilha da ideia de que a técnica do Plantio Direto precisa ser reavaliada constantemente. “O que se verifica é que a conservação de solo não tem sido feita de uma maneira coerente e adequada. Quando a técnica do Plantio Direto é associada com a rotação de cultura, ajuda a preservar o solo. Porém, o que vem sendo feito é a utilização da técnica de um modo inadequado. Por isso é essencial que o agricultor se atualize com as pesquisas e saiba usar corretamente todas as ferramentas para ter um solo fértil por muitas gerações”, destaca.

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