Verminose em ovinos: Monitorar para controlar


A produção de ovinos está baseada em sistemas de produção, como orientação produtiva, de acordo com o propósito da criação. Cada sistema implantado obedece a princípios e critérios que definem o manejo mais adequado, considerando o rebanho, a disponibilidade da infraestrutura na propriedade e a capacidade de investimentos de acordo com o potencial. Ao se definir o sistema de produção, uma das primeiras práticas a ser trabalhada é formação de pastagens adequadas à espécie, que produzam o máximo de forragens com qualidade nutritiva, palatabilidade e digestibilidade ao longo do ano. Ovinos nas Pastagens - O manejo adequado de uma pastagem para ovinos vai depender da lotação animal, das categorias dos animais divididos em lotes, segundo sua capacidade de aproveitamento da forragem, pelo seu estado imuno-fisiológico. Todo animal apresenta sua capacidade de maior ou menor autodefesa, relacionada ao estado fisiológico que se encontra naquela fase. Assim, as categorias mais jovens, como borregas em recrias, são mais sensíveis às alterações fisiológicas e, por sua vez, menos resistentes a verminoses pela baixa capacidade de autodefesa, o que pode comprometer o desempenho do lote como futuras matrizes, por um simples erro de manejo em pastagens, pela alta carga parasitária. Carga parasitária é a quantidade de vermes de um hospedeiro, representado pelo grau de comprometimento na vida do animal.

Outra categoria que merece atenção em manejo de pastagens são as matrizes em final de gestação e período de lactação. Esta categoria passa por um fenômeno fisiológico conhecido como imunossupressão, que é baixa capacidade de autodefesa contra verminose, principalmente pela queda da imunidade relacionada à produção de colostro, leite e intensa ação da prolactina (hormônio responsável pela produção de leite), provocando um estímulo ao desenvolvimento da verminose de forma acelerada com altas infestações nas pastagens e altas cargas parasitárias nos animais. Em ambas as categorias recomenda-se o manejo em piquetes separados das demais categorias, com pastagens que proporcionem disponibilidade de forragem em quantidade e qualidade, evitando a seletividade e procura por brotos mais tenros na base das plantas, onde se encontra a maior infestação de larvas de vermes. Essas larvas ao serem ingeridas pelos animais promovem uma infecção ou reinfecção, levando a uma alta carga parasitária em poucos dias. Fases básicas da Verminose a. Fase parasitária: são vermes adultos que vivem dentro do organismo do animal (hospedeiro), que molestam e expoliam sangue levando o hospedeiro à anemia e morte, se não tratados a tempo; b. Fase pré- parasitária ou vida livre no ambiente (pastagens): são ovos e larvas depositados pelos vermes adultos através das fezes dos animais e que permanecem a espera pela ingestão através das pastagens para se tornarem adultos. Ciclo básico do Verme A reprodução do verme é sexuada (entre machos e fêmeas) dentro do hospedeiro. Os ovos são depositados no trato digestório e liberados para o meio exterior, junto com as fezes dos animais. O ovo eclode em 24 horas e, em cinco dias, a larva já está livre nas pastagens, conhecida como larva infectante. Esta larva, quando ingerida pelo animal, se aloja no abomaso, intestino delgado e outros órgãos como locais de parasitismo e em aproximadamente três semanas transformam-se em vermes adultos. Nesse estágio final, a larva adulta (L4) inicia a reprodução fazendo um novo ciclo que, para o Haemonchus contortus (verme de maior comprometimento na ovinocultura), é de 28 dias, apresentando uma média geral de cinco a seis semanas para outros tipos de vermes. Uso de vermífugos

Os vermífugos, conhecidos como anti-helmínticos ou antiparasitários, são produtos usados para o controle de vermes. Um vermífugo é considerado eficiente quando é capaz de matar um percentual acima de 90% dos vermes adultos presentes no organismo de um hospedeiro. Todo vermífugo é tratado tecnicamente pelo seu princípio ativo, ou seja, pela molécula química desenvolvida em laboratório para controlar um determinado tipo de verme ou uma classe de vermes. Portanto, é necessário conhecer o tipo de verme que precisa ser controlado, para fazer uso de um determinado princípio ativo. Se há dúvidas com relação à eficiência do vermífugo, o técnico lança mão dos testes de princípios ativos. Testam-se dois ou mais princípios ativos, onde se faz primeiro uma Contagem de Ovos por Grama de Fezes (OPG) e dentro de uma metodologia adequada, divide-se o rebanho em lotes suficientes para o número de tratamentos e um de testemunho. Aplicam-se os produtos e após oito a dez dias, realiza-se uma nova OPG. O resultado é calculado para um percentual de redução onde se decide qual princípio ativo mais eficiente poderá ser usado. Como identificar e contar os vermes? Basicamente consiste em duas técnicas realizadas em laboratórios, para fazer a identificação e contagem dos vermes: a. Coprocultura: é uma “incubação” de ovos de vermes, que através das larvas se permite identificar e classificar os vermes segundo suas classes; b. Contagem de Ovos por Grama de Fezes - OPG: permite estimar a carga parasitária do animal pela quantidade de ovos encontrados nas fezes coletadas diretamente dos animais. Em ambas as técnicas, são usadas fezes dos animais e, através de metodologias próprias, chega-se a uma interpretação correta na indicação do vermífugo a ser usado, de acordo com sua eficiência. Para OPG, recomenda-se que seja feito por categorias no rebanho. Cada categoria apresenta um grau de comprometimento com relação à carga parasitária Fatores que pré-dispõema verminose a. Manejo do rebanho sem separação por categorias. Ovelhas lactantes são as que mais se contaminam de pastagens. Cordeiros e borregas de recria é a categoria mais sensível à verminose; b. Erros no manejo nutricional. Animais bem nutridos desenvolvem uma autodefesa contra verminose. Animais mal nutridos se tornam sensíveis a uma infecção parasitária; c. Super pastejo ou pastejo muito intenso, com altas lotações de animais por períodos prolongados ou pastagens degradadas, disponibilidade de forragem; d. Forrageiras inadequadas à espécie levam a uma seletividade de pastejo e, por conseguinte, uma ingestão maior de larvas; e. Aplicação de vermífugos de forma indiscriminada, sem a devida orientação técnica; f. Aplicação de sub doses, ou seja, doses abaixo do recomendado, causando resistência de vermes ao princípio ativo utilizado; g. Erro na forma e nas vias de aplicação pode provocar refluxos do produto, por seringas e agulhas mal calibradas; h. Ambiência insalubre juntamente com outros erros, são fatores que contribuem para um estado de verminoses no rebanho. Investir em Pastagens

É necessário investir em pastagens adequadas à espécie. Os mais utilizados na nossa região são Aruana, Aires, Tifton e Hemarthrias como perenes de verão, Milheto, Capim Sudão como anuais de verão, Aveia e Azevém como anuais de inverno. É necessário ter conhecimentos do "suporte ou capacidade" de pastejo de cada forrageira, o que implica em determinar o tipo de solo e o tamanho dos piquetes como área útil. Na prática, o número de animais a ser mantido em um piquete vai depender da altura do pasto por ocasião da entrada dos mesmos, das condições climáticas e principalmente do estágio da planta, em função da sua idade fisiológica. Pastagens em final de ciclo se tornam mais fibrosas e menos palatáveis, forçando os animais a selecionarem mais a forragem. Pastagens muito baixas podem diminuir a infestação de larvas de vermes, porém, a infecção por vermes nos animais poderá ser bem maior pela ingestão de larvas infectantes, quando comparada a pastagens em altura e qualidade adequada no pastejo, evitando ou reduzindo quase que a zero a ingestão de larvas de vermes. A presença de larvas de vermes em pastagens é maior nos estratos mais baixos da planta, isto é, está mais próximo do solo e o grau de infestação depende principalmente do substrato que a planta proporciona à sobrevivência da larva. A capacidade de sobrevivência de larvas de vermes nas pastagens pode ser quebrada pela prática de integração lavoura-pecuária, especialmente se for feita alguma operação convencional no preparo do solo para uma nova semeadura. Isto se torna mais comum com pastagens anuais. Importante: o vermífugo por si só, não reduz a quantidade de larvas nas pastagens. É preciso respeitar as categorias animais, mas também é necessário respeitar a fisiologia da planta forrageira que se está utilizando como pastoreio para os ovinos. Entre um ciclo e outro das pastagens, existe sempre uma lacuna aberta com deficiência de forragens com qualidade, em função da maturação fisiológica da planta forrageira. Este período pode se estender por até 60 dias, dependendo da região e das condições climáticas. Diante dessa condição, é aconselhável se planejar para o uso de forragens conservadas, como silagens e pré-secados, para suprir as necessidades nutricionais do rebanho. Nesse caso, é igualmente aconselhável também, tratar o rebanho com vermífugos de forma preventiva, tendo como tratamento estratégico duas vezes ao ano, de forma a evitar o comprometimento dos animais por verminoses. Izaltino Cordeiro dos Santos Méd. Vet. – CRMV 13269 PR Coord. de Produção Animal Faz. Esc. Capão da Onça – UEPG.

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