Bolsista de Iniciação Científica do Iapar é premiado em evento nacional


Árvores próximas à pastagem permitem um maior tempo de pastejo e maior tempo de ruminação, contribuindo para o conforto térmico animal.

O bolsista de Iniciação Científica do Iapar e estudante da Universidade Estadual de Ponta Grossa, Cláudio Guilherme de Matos Porto, venceu o concurso no XXVI Congresso Brasileiro de Zootecnia (Zootec), realizado em Santa Maria (RS). O acadêmico é orientado pelos pesquisadores Dra. Laíse da Silveira Pontes - Iapar, Dr. José Luís Molleta - Iapar e Dr. Vanderley Porfírio da Silva - Embrapa Florestas. Como prêmio, Cláudio Porto ganhou uma credencial para o London International Youth Science Forum (LIYSF), em Londres, no Reino Unido, um dos maiores encontros científicos juvenis organizados no mundo. O trabalho teve como tema: "Estudos de variáveis comportamentais de novilhas de corte em sistemas integrados de produção agropecuária”. O tema contou com apoio do Iapar, UEPG e Embrapa e de parte do subprojeto Finep "Avaliação da viabilidade de sistemas de Integração Lavoura, Pecuária e Floresta nos Campos Gerais do Paraná", gerenciado por Moletta. Porto foi o vencedor na categoria 8 - Integração Lavoura-Pecuária e Sustentabilidade. De acordo com a comissão do Zootec deste ano, a premiação é resultado de uma parceria firmada com a Rede do Programa de Olimpíadas de Conhecimento (Rede POC). O LIYSF, que é organizado pelo Imperial College London, tem duração de duas semanas e é realizado todos os anos nos meses de julho e agosto. Os premiados no Zootec poderão escolher se participarão da edição deste ou do próximo ano. O Trabalho - O objetivo do trabalho, segundo Cláudio, foi avaliar a produção de forragem e o efeito das árvores no comportamento animal em dois sistemas de produção (Pecuária - PEC e Pecuária-Floresta-IPF), de novilhas em pastagem de Hemarthria altíssima. "Para as avaliações de comportamento ingestivo, utilizamos o método direto de observação visual dos animais, do amanhecer ao pôr do sol. Houve diferença no tempo total de pastejo entre o sistema com árvores (IPF) e a pleno sol (PEC)”, explica o acadêmico. Ele relata que os animais no PEC, passaram maior tempo em descanso em pé, o que levou a um maior tempo de descanso total, sendo que no ambiente arborizado os animais passaram maior tempo ruminando deitado, resultando assim em maior tempo total de ruminação. “O tempo de permanência dos animais no bebedouro foi maior no ambiente sem árvores do que no arborizado. A presença do componente arbóreo em pastagem de Hemarthria altera o comportamento ingestivo de bovinos de corte e estas variações comportamentais, observadas em função da presença ou ausência das árvores na pastagem, poderão acarretar em diferenças no desempenho dos animais”, relata Porto.

Integração - Os Sistemas Integrados de Produção Agropecuária (SIPA) podem integrar em uma mesma área pastagens e herbívoros, culturas produtoras de grãos e o componente florestal. Dentro deste contexto é importante saber as funções comportamentais de todos os componentes do sistema. "O comportamento ingestivo de bovinos em pastejo pode ser influenciado por diversos fatores como temperatura, estrutura do dossel forrageiro, disponibilidade e composição química da forragem. As modificações nas condições climáticas resultantes da introdução de árvores no ambiente de pastejo também podem afetar o comportamento alimentar dos animais”, afirma Porto. Segundo o acadêmico, para evitar ou reduzir o estresse térmico provocado pela radiação solar, o uso do sombreamento tem se mostrado uma alternativa viável por beneficiar o conforto térmico e favorecer a termorregulação dos animais. "Desta forma, os objetivos com esse experimento foram avaliar o efeito das árvores nas variáveis comportamentais de novilhas de corte da raça Purunã em pastagens de Hemarthria altissima, em um ambiente sombreado por árvores ou a pleno sol”, descreve.

Resultados e Discussão - Houve diferença no tempo total de pastejo entre o sistema com árvores (IPF) e a pleno sol (PEC), sendo que no IPF os animais passaram mais tempo pastejando, o que pode ser atribuído a menor oferta de forragem no IPF. "Um dos fatores que explica a menor produção de forragem em áreas sombreadas é a diminuição no perfilhamento, o que provavelmente ocorreu no presente experimento. Possíveis alterações na estrutura do dossel forrageiro, nas pastagens sombreadas também podem explicar o maior tempo de pastejo nesta área, uma vez que as plantas respondem ao sombreamento através de alterações estruturais (e.g relação folha: colmo). Outra hipótese que pode explicar o aumento no tempo de pastejo, é que os animais das áreas sombreadas foram mais seletivos, ou seja, os animais passaram mais tempo pastejando em razão da maior seleção por folhas”, acredita o acadêmico. O acadêmico relata que nos dois sistemas (IPF e PEC), observaram-se três picos de pastejo: às 8 horas, 13 horas e 17 horas. "No entanto, às 13 horas, o tempo de pastejo dos animais do sistema sombreado foi superior ao dos animais a pleno sol, indicando que o conforto térmico, proporcionado pela presença das árvores, também favoreceu o maior tempo de pastejo”, evidencia. Segundo Porto, as árvores podem contribuir na redução do incremento calórico, pois atenuam os efeitos diretos da radiação solar e dos extremos climáticos sobre os animais. "Esse é um aspecto importante para bovinos, uma vez que tendem a pastejar nas horas de temperatura mais amenas” destaca. Porto evidenciou que os tempos de ruminação em pé, deitado e total, foram afetados pelos sistemas IPF e PEC. "Os animais apresentaram menor tempo de ruminação no ambiente sem árvores. Resultados encontrados em pesquisa para avaliar o comportamento de bovinos de corte em sistema arborizado com eucalipto têm indicado que a presença de árvores altera o tempo e a frequência de pastejo e ócio, mas não influencia no tempo e na frequência de ruminação”, relata. Assim, Porto mostra em seu trabalho, que as árvores em consórcio com pastagem de Hemarthria altissíma alteram o comportamento ingestivo de bovinos de corte, permitindo um maior tempo de pastejo e maior tempo de ruminação, contribuindo para o conforto térmico animal. (Veja mais sobre lavoura e pecuária na páginas 24 e 38).

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