Produtores rurais discutem Pecuária Moderna


A Pecuária Moderna tem como objetivo fortalecer e modernizar a bovinocultura de corte no Estado.

Produtores rurais dos Campos Gerais se reuniram no Sindicato Rural de Ponta Grossa para discutir a capacitação técnica do Plano Integrado de Desenvolvimento de Bovinocultura de Corte no Paraná - “Pecuária Moderna". Com carga horária de 160 horas, o curso é dividido em dez módulos com aulas teóricas e práticas com temas ligados à pecuária, como gestão, manejo, reprodução, alimentação, manejo de pastagens, entre outros. A qualificação é promovida pelo SENAR-PR em parceria com os diversos Sindicatos Rurais e Comitês Regionais que planejam o cronograma de atividades em todo o Estado. O curso é destinado aos profissionais das áreas de agronomia, zootecnia e veterinária. Entre as metas do Plano, no prazo de dez anos, estão a redução da idade média de abate de 37 para no mínimo 30 meses; aumento da lotação média das pastagens de 1,4 para 2 animais por hectare ao ano; aumento da taxa de natalidade do rebanho de 65% para 75%; aumento da produtividade média de carcaça de quilos/carcaça/ha/ano de 137 para 210 quilos.

QUALIFICAÇÃO - Para o zootecnista do departamento técnico de economia da FAEP, Guilherme Mossa de Souza Dias, o curso vem atender uma demanda do setor produtivo, qualificando profissionais para atuarem no melhoramento do rebanho bovino paranaense. “A reunião teve o objetivo de alinhar o trabalho e reafirmar os compromissos. Foi solicitada uma turma em Ponta Grossa, para atender a região, e mostramos o perfil necessário para ser candidato a uma vaga. Isso é importante porque o curso é extenso e atitudes como essa ajudam a evitar evasão e descomprometimento”, explica Guilherme. Segundo ele, será dada preferência a candidatos que já atuam na assistência técnica há pelo menos dois anos e que possam participar integralmente do curso por seis meses, que será realizado todas as quintas e sextas em horário integral. “A exigência é para técnicos formados em nível superior nas áreas de agronomia, zootecnia e veterinária”, destaca. O veterinário Márcio Quint Bugallo, que atende diversas fazendas de gado de corte da região, acredita que o projeto é importante, pois irá formar profissionais capacitados para atuarem nos rebanhos com conhecimento e tecnologia. “Com profissionais capacitados o Paraná conseguirá obter os índices zootécnicos para atender os mercados que estão surgindo. A pecuária com tecnologia e bem conduzida pode ser altamente rentável e bater de frente com outras commodities”, acredita. TECNOLOGIA - O zootecnista e responsável pelo projeto de Bovinocultura de Corte da Emater, Luiz Fernando Brondani, explica que o Paraná vem importando carne para o consumo e isso chamou atenção do setor político e produtivo. “Inacreditável um Estado rico e diversificado na agropecuária precisar importar carne de gado para atender seu mercado consumidor. O plano veio para suprir essa lacuna. Através da tecnologia, temos que produzir mais e com qualidade no mesmo espaço”, explica. Ele ressalta ainda, que utilizando tecnologia e um manejo adequado o produtor pode antecipar o abate e terá uma carne com melhor qualidade e também um lucro maior. “A média de abate dos bovinos no Paraná é de 37 meses. Hoje, isso não é mais viável. Essa média é altamente negativa, descapitaliza e quebra o criador levando-o a investir em outras culturas. Já o abate com 30 meses está proporcionando um lucro de R$ 95,05 e, com 24 meses, R$ 388,10 positivos. Saindo hiper precoce terá um lucro de R$ 900,00. Portanto, se um pecuarista deixar o seu gado mais tempo no pasto, menos lucro terá e a pecuária neste molde não é interessante”, explica Luiz Fernando. (Olhe a tabela).

Entre as metas do Plano, no prazo de dez anos, estão a redução da idade média de abate de 37 para no mínimo 30 meses; aumento da lotação média das pastagens de 1,4 para 2 animais por hectare ao ano.

O zootecnista destaca que, usando a tecnologia, é possível ter animais para abate com 14 meses. “Para isso o animal tem um preparo para o nascimento e desmame até os 14 meses. Desta forma, esse animal tem uma curva de crescimento constante. Este animal não tem o período de inverno, onde perde peso. Para que tudo isso seja possível, trabalhamos o cruzamento industrial, onde se busca ganhar o peso acima do normal e isso vem sendo feito com o cruzamento de raças zebuínas com europeias. Além disso, é necessário ter um manejo adequado e não errar na questão sanitária e no bem estar animal. Torna-se importante também, ter um profissional capacitado para observar todos esses itens”, descreve. O presidente do Sindicato Rural de Ponta Grossa, Gustavo Ribas Netto, recorda que a região dos Campos Gerais nasceu com o Tropeirismo, portanto, a pecuária foi um ciclo importante de desenvolvimento. Porém, com o passar do tempo, a pecuária foi perdendo espaço para agricultura e silvicultura. “A pecuária é muito importante para diversificar a renda da propriedade, pois assim o produtor pode ter receitas mais constantes. Mas, para isso, é necessária uma pecuária de ponta, ou seja, que consiga concorrer com as demais atividades”, argumenta Gustavo. O presidente destaca que existe muita tecnologia na região, tanto de manejo como de genética. “Precisamos passar isso para todos os produtores, por isso é importante a formação de técnicos para ajudar a melhorar a renda no campo”, defende.

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