Programa mobiliza agricultores a favor da conservação de solo e água

O Programa Integrado de Conservação de Solo e Água irá treinar dois mil técnicos e mobilizar produtores em relação aos cuidados com o solo e a água.

 

O Paraná vai resgatar o programa de conservação de solos e água que tornou o Estado referência nacional e internacional nessa área no final da década de 1980. O governador Beto Richa e o secretário da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, assinaram o decreto que institui o Programa Integrado de Conservação de Solo e Água do Paraná. O programa foi desenvolvido pelo governo estadual em parceria com 15 entidades dos setores público e privado do agronegócio, inclusive o Sistema FAEP/SENAR-PR.
Com o apoio da iniciativa privada, o programa busca a mobilização e conscientização de todos os produtores rurais paranaenses para que cumpram com suas obrigações de cuidar e preservar o solo e a água. A iniciativa também atende os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da Organização das Nações Unidas (ONU), adotados pelo Governo do Paraná.
O programa é uma demanda do setor, que já identificava problemas de conservação do maior patrimônio dos produtores, o solo, e na preservação das fontes de água, com impactos diretos na produtividade das lavouras. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (SEAB), atualmente 30% do território agricultável do Estado registra algum processo de erosão.
Para o presidente do Sistema FAEP/SENAR-PR, Ágide Meneguette, o programa valoriza os dois aspectos vitais para a agricultura, solo e água, além de inserir novas tecnologias ao cotidiano dos produtores. “Já estava sinalizado que o Estado necessitava de um novo esforço de recuperação e manutenção do solo. Esta iniciativa de instituir o programa é fundamental para que, no futuro, as novas gerações não nos cobrem por omissão. É uma oportunidade de reescrever a história”, destacou.
RIQUEZA DO ESTADO - Para o governador, o cuidado com o solo e a água garante a sustentabilidade da principal atividade econômica do Estado. “Essa iniciativa visa o desenvolvimento mais acentuado do Paraná. Não é um programa de governo, mas de Estado, diante da grande importância que ele representa para a agricultura, que é a base da nossa economia e que tem salvado a balança comercial brasileira”, afirmou.
Richa lembrou que as ações do programa já começaram com a formação, em Paranacity, Noroeste do Estado, de agrônomos e técnicos agrícolas. “É mais uma ação em que somamos esforços com as entidades que representam o setor do agronegócio para qualificar nossos produtores rurais para ações de conservação, que é uma necessidade premente de nosso Estado”, afirmou.
Ele ressaltou ainda, que as fortes chuvas que atingiram o Paraná no ano passado acarretaram graves consequências aos municípios, causando problemas nas lavouras e nas estradas. “Já fizemos um grande programa para a reconstrução das rodovias afetadas pelas chuvas. Agora estamos investindo na conservação do solo, para evitar problemas maiores de erosão que afetam a agricultura”, ressaltou.
TRÊS FRENTES - O programa está sendo estruturado para ser executado em três frentes: capacitação, pesquisa e estímulo de boas práticas com os agricultores. “Será um alerta ao produtor, de que ele deve plantar e gerar renda com a atividade, mas não pode descuidar do uso correto do solo e da água para manter a fertilidade natural de nosso Estado para as gerações futuras”, afirmou o secretário Norberto Ortigara. Além disso, as ações já existentes do programa de Conservação de Solos em Microbacias serão integradas ao novo projeto. O programa é promovido pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento e pela Emater em 300 microbacias do Estado, com financiamento do Banco Mundial. “A ideia é que essas microbacias sejam unidades de referência para os agricultores nas regiões”, explicou Ortigara.

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