Brasil recicla 94% das embalagens de defensivos agrícolas


O Brasil é o país que mais retira embalagens de defensivos do campo: 95% dos potes e galões utilizados são devolvidos para reciclagem. O processo de reciclagem pode oferecer outros 17 tipos de produtos, como canos, mangueiras e até novos galões.

O Brasil é referência na tecnologia reversa com a correta coleta e destinação das embalagens de defensivos agrícolas, recolhendo cerda de 94% das embalagens conforme, dados do Inpev (2009). Esses índices transformaram o Brasil em líder no assunto. Em segundo lugar vem a França, com 77%, seguida pelo Canadá, com 73%. Os Estados Unidos vêm em 9º lugar, com 33%. Portanto, este sistema da logística reversa (LR) tem como objetivo reaproveitar alguns resíduos sólidos, diminuindo a necessidade de utilizar matéria prima, reduzindo consequentemente o impacto ambiental. Essa boa prática dos produtores se deve ao programa "Sistema Campo Limpo” que é gerenciado pelo Inpev realizado em todas as regiões do país. O Sistema tem como base o conceito de responsabilidade compartilhada entre agricultores, indústria, canais de distribuição e poder público, conforme determinações legais, o que tem garantido seu sucesso. Nos Campos Gerais quem é responsável pelo correto descarte é a Associação dos Revendedores de Insumos Agropecuários dos Campos Gerais (ASSOCAMPOS). É uma entidade sem fins lucrativos que representa 50 empresas associadas. A associação atua em 17 municípios e tem sede em Ponta Grossa. Possui Licença de Operação que permite a destinação dos resíduos sólidos agrícolas. Os agricultores dos municípios dessa região realizam a devolução das embalagens vazias de defensivos agrícolas na central, nos postos de recebimento de Irati ou Prudentópolis. Também há coleta com caminhões nos municípios, com agendamento prévio, durante todo o ano.

Portas Abertas - Para comemorar os resultados e manter a liderança mundial, a Associação promoveu no “Dia Nacional do Campo Limpo”, comemorado no dia 18 de agosto, o projeto de Portas Abertas. Nesta data a entidade mostrou para a comunidade e aos produtores como é realizada a correta destinação das embalagens. Na oportunidade, também foi entregue uma homenagem ao produtor de milho, soja e trigo de Itaiacoca, Edmir Scheibel, por sua dedicação diária em contribuir com uma agricultura inovadora e dedicada à sustentabilidade no Brasil. Ele destaca que isso é um trabalho de consciência e preservação do meio ambiente para futuras gerações. “O agricultor tem essa obrigação de entregar as embalagens, pois faz bem para o meio ambiente. Desta forma também cuidamos do nosso maior patrimônio, a terra, para os nossos filhos e netos”, explica. Ele destaca que o sentimento na hora da homenagem é o reconhecimento do dever cumprido. “É um dever meu junto com a natureza e os seres humanos, pois extraímos da terra o nosso sustento e devemos retribuir com carinho e cuidado o que ela nos oferece. Portanto, esse cuidado é o mínimo que devemos fazer”, expressa Edmir. O gerente e responsável técnico da Assocampos, Luiz Fernando de Abreu Marion, explica que a intenção da visita técnica é para que a comunidade tenha a noção de como o trabalho é realizado. “O produtor dos Campos Gerais é muito consciente. Notamos isso pelos índices de embalagens coletadas pela nossa associação. Só no ano passado, foram mais de 850 toneladas de embalagens recolhidas. Esse material pode retornar como novas embalagens de defensivos, conduítes, tubos para esgoto, entre outros produtos. Com esses números todos ganham, a natureza e o ser humano”, destaca o gerente. O chefe regional da Secretaria de Agricultura do Paraná, Laertes Bianchesi, salienta que a prática do recolhimento e descarte das embalagens nas propriedades rurais é muito importante e evita tanto a intoxicação dos seres humanos como também a contaminação do meio ambiente. “O Paraná vem dando esse grande exemplo de tecnologia reversa e, mostrar como isso é realizado é importante para a comunidade e também para os agricultores. Portanto, mostrando isso deixa claro ao produtor que ele precisa fazer sua prática da melhor maneira possível para preservar sua saúde e também o meio ambiente”, destaca Bianchesi.


Manejo correto na hora do descarte

As embalagens de defensivos agrícolas são classificadas em dois grandes grupos: laváveis e não laváveis. As embalagens laváveis são rígidas (plásticas, metálicas ou de vidro) e servem para acondicionar formulações líquidas para serem diluídas em água. Entre as embalagens rígidas, as plásticas predominam. As metálicas, geralmente representadas pelos baldes de folha de aço, representam apenas 10% de todo o volume de embalagens de defensivos agrícolas no Brasil. As embalagens plásticas diferem quanto ao tipo de resina utilizado em sua produção, podendo ser: PEAD Mono (Polietileno de Alta Densidade) – Resina que apresenta alta resistência a impactos e aos agentes químicos. É identificada pelas siglas Hdpe (high density polyethylene), PE (polietileno) ou Pead. Este tipo de embalagem leva o número 2 e é a segunda resina mais reciclada no mundo. O COEX, ou extrusão em multicamadas, apresenta o número de identificação 7 – outros. O PP ou Polipropileno é identificado pela sigla PP e pelo número 5, ambos estampados no fundo das embalagens. As embalagens não laváveis são aquelas que não utilizam água como veículo de pulverização, além de todas as embalagens flexíveis e as embalagens secundárias. Estão nesse grupo sacos de plástico, de papel, metalizados, mistos ou feitos com outro material flexível; embalagens de produtos para tratamento de sementes; caixas de papelão, cartuchos de cartolina, fibrolatas e, ainda, embalagens termo moldáveis que acondicionam embalagens primárias e não entram em contato direto com as formulações de defensivos agrícolas. É importante lembrar que 95% das embalagens vazias de defensivos agrícolas colocadas no mercado são as do tipo lavável e podem ser recicladas, desde que corretamente limpas no momento de uso do produto no campo. Os 5% restantes são representados pelas embalagens não laváveis. As embalagens contaminadas por não terem sido lavadas adequadamente são incineradas.

Lavagem e Destinação dos Resíduos - A legislação brasileira determina que todas as embalagens rígidas de defensivos agrícolas devem ser submetidas a um processo de lavagem. Essa prática reduz os resquícios do produto na embalagem, impedindo que esses resíduos sequem e, assim, contaminem a própria embalagem. Além disso, os procedimentos de lavagem, quando realizadas durante a preparação da calda, garantem a utilização de todo o produto, evitando tanto o desperdício como a contaminação do meio ambiente. Portanto, a lavagem é indispensável para a segurança do processo de destinação final das embalagens de defensivos agrícolas, sobretudo quando seguem para reciclagem. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) dispõe de uma norma específica (NBR 13968) sobre embalagens rígidas vazias de defensivos agrícolas, que estabelece os procedimentos adequados para sua lavagem: a chamada tríplice lavagem e a lavagem sob pressão. Serviço - Mais informações sobre o assunto podem ser obtidas no site: http://www.assocampos.com.br


Siga-nos
  • Facebook Basic Square

© 2023 por Sindicato Rural de Ponta Grossa