Ergonomia e produção: um sistema sustentável


Um dos objetivos da saúde ocupacional, adotado em 1950, na primeira reunião conjunta da Organização Internacional do Trabalho com a Organização Mundial da Saúde, revisado em sua décima segunda sessão, em 1995, é desenvolver organizações de trabalho e culturas de trabalho que valorizem a saúde e a segurança no trabalho e, ao fazê-lo, também promovam um clima social positivo nas empresas (Niu, 2010).

No setor produtivo, qualquer trabalhador está susceptível a diferentes estímulos durante o seu trabalho que podem conduzi-los a erros de operação, comprometendo seu desempenho, sua segurança e a dos demais trabalhadores, podendo levar a problemas de saúde física e emocional (Almeida, et al., 2015). Para estudar estes problemas, surge a ergonomia, conceituada como o estudo da adaptação do trabalho ao homem (Couto, 1995; Associação Internacional de Ergonomia – IEA na sigla em inglês, 2000; Iida e Guimarães, 2016). O objetivo da ergonomia é otimizar, em primeiro lugar, o conforto do trabalhador, bem como sua saúde, segurança e eficiência, levando em consideração que a peculiaridade da boa ergonomia não está nos seus instrumentos de coleta de campo, mas sim no detalhamento, na profundidade e no olhar sobre o trabalho (Salerno, 2000; Niu, 2010). No Brasil, a norma que regulamenta os aspectos ergonômicos do trabalho, é a NR-17, a qual visa estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Em contrapartida, o termo produtividade pode ser usado para avaliar ou medir a amplitude em que uma determinada saída (output) pode ser produzida a partir de uma determinada entrada (input) (Kanawaty, 1992). Interligando os dois conceitos, há uma tendência na ergonomia que defende o equilíbrio entre ela e as exigências de produção para alcançar um sistema sustentável (Hendrick, 1997; Dul e Neumann, 2009; Thun et al., 2011; Guimarães et al., 2015). Apesar de existirem exceções, os estudos raramente relacionam de forma explícita as práticas e os princípios de ergonomia com a gestão da produção, apesar da forte relação entre ambas as disciplinas. Isto é importante, pois impactos positivos de intervenções na organização do trabalho podem advir de ergonomia e ações produtivas orientadas, ao invés de iniciativas isoladas (Guimarães et al., 2015). Outro problema é que os gestores geralmente associam a ergonomia apenas com a saúde e segurança ocupacional e o cumprimento da legislação, sem associá-la com o desempenho do negócio. Em face disto, os decisores não são motivados a aplicar a ergonomia somente por motivos de melhoria da saúde e segurança (Dul e Neumann, 2009). Apenas como um exemplo, Guimarães et al. (2015) utilizaram a ergonomia para modificar o sistema de trabalho em uma fábrica de móveis no Rio Grande do Sul e conseguiram ganhos tanto ergonômicos como produtivos, confirmando que os objetivos ergonômicos e de produção são compatíveis e que um projeto sustentável é possível. Sendo assim, reafirma-se que o trabalho em condições ergonomicamente inadequadas pode comprometer a saúde e a segurança do trabalhador, além de prejudicar a qualidade e a produtividade da operação, mas o emprego da ergonomia no setor produtivo tende a deixar a atividade com mais segurança, conforto, melhorar a produtividade e a qualidade, além de reduzir custos. Desta forma, tem-se mais uma importante ferramenta no processo produtivo.

Referências ALMEIDA, S. F.; ABRAHÃO, R. F.; TERESO, M. J. A. Avaliação da exposição ocupacional à vibração de corpo inteiro em máquinas de colheita florestal. Cerne, v. 21, n. 1, p. 1-8, 2015. COUTO, H. A. Ergonomia aplicada ao trabalho: o manual técnico da máquina humana. Belo Horizonte: Ergo,1995. 2 v. DUL, J., NEUMANN, W. P. Ergonomics contributions to company strategies. Applied Ergonomics. v. 40, n. 4, p. 745-752, jul. 2009. GUIMARÃES, L. B. M.; ANZANELLO, M. J.; RIBEIRO, J. L. D.; SAURIN, T. A. Participatory ergonomics intervention for improving human and production outcomes of a Brazilian furniture company. International Journal of Industrial Ergonomics, v. 49, p. 97-107, set. 2015. HENDRICK, H. W, 1997. Good ergonomics is good economics. Ergonomic Design 5, 1-15. IEA, International Ergonomics Association. Definition and Domains of Ergonomics. Disponível em: <http://www.iea.cc/whats/index.html>. Acesso em: 04 out. 2016. IIDA, I.; GUIMARÃES, L. B. M. Ergonomia: projeto e produção. 3a. ed. São Paulo: Blucher, 2016. 850 p. KANAWATY, G. (Ed.) Introduction to Work Study, Organização Internacional do Trabalho. 4. ed. Ver.,. Geneva, 1992. 525 p. NIU, S. Ergonomics and occupational safety and health: An ILO perspective. Applied Ergonomics, v. 41, n.6, p. 744-753, 2010. SALERNO, M. S. Análise ergonômica do trabalho e projeto organizacional: uma discussão comparada. Produção, n. especial, 2000, p. 45-60. THUN, J. H., LEHR, C. B., BIERWIRTH, M. Feel free to feel comfortabledan empirical analysis of ergonomics in the German automotive industry. International Journal of ProductionE conomics, v. 133, n. 2, p. 551-561, out. 2011.

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