Dia de Campo da Fruticultura discute tecnologias com acadêmicos e produtores

 

A edição 2016 do Dia de Campo da Fruticultura dos Campos Gerais, realizada pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), reuniu professores, pesquisadores, acadêmicos da área, profissionais e produtores rurais em um programa de palestras e visita ao Pomar na Fazenda Escola Capão da Onça (Fescon), da UEPG. O objetivo da iniciativa é divulgar o potencial da fruticultura de Ponta Grossa e região, bem como buscar apoio ao desenvolvimento da área como uma opção de renda, pela sua diversificação de produção, como assinala o coordenador da iniciativa e do Laboratório de Biotecnologia Aplicada à Fruticultura da instituição, professor Ricardo Ayub.
Durante a realização do Dia de Campo, os participantes tiveram contato com pesquisadores que destacaram, em suas palestras, novos conhecimentos acerca da tecnologia da fruticultura. O professor Ricardo Ayub considera a importância do Dia de Campo que a cada ano procura trabalhar temas significativos para o cotidiano da fruticultura brasileira, que se destaca como um dos setores da atividade rural que mais cresce. “Nós precisamos entender a necessidade de trazer esse crescimento para o Paraná - e com olhar no potencial da região dos Campos Gerais - porque o estado responde apenas por 4% da produção nacional de frutas”.
Palestras - Durante o dia foram realizadas diversas palestras, entre elas uma sobre Ameixeira proferida pelo doutor e agrônomo da UFPR, Marcos Antonio Dolinski. Segundo ele, a importância desta cultura, como das demais frutas de caroço, diz respeito ao grande potencial de produção. “Quando produzimos essas frutas com qualidade, temos mercado, pois ainda é possível explorar o aumento da produção desta cultura. Diferente do pêssego, que já é bastante explorado, a ameixa muitas vezes fica de lado. Desta forma, incentivar esse cultivo pode auxiliar a renda do produtor rural”, argumenta o doutor. Segundo ele, o grande desafio para se plantar esse tipo de cultura hoje, é uma doença denominada Escaldadura das Folhas da Ameixeira (EFA), causada pela bactéria Xylella fastidiosa. Esta doença é considerada a mais importante da cultura de ameixas. Os sintomas são visíveis em plantas com dois/três anos, caracterizados por leve clorose na região apical ou nas margens da folha. Com o progresso da doença, essas áreas secam e necrosam. “Essa doença é o principal limitante deste tipo de cultura”, afirma Marcos. Quando o pomar é bem manejado, segundo ele, existem pontos positivos que merecem ser ressaltados. Um deles é o potencial de produtividade, que pode chegar a 30/40 toneladas por hectare. “Esses índices proporcionam um retorno econômico bem elevado, isso porque o valor comercial da fruta é superior ao do pêssego”, destaca o doutor.
A doutoranda da UFPR e instrutora do SENAR, Jessica Welinski de Oliveira Dangelo, proferiu palestra sobre boas práticas e a rastreabilidade na fruticultura. Segundo ela, é importante que o produtor tenha consciência da obrigação de produzir um alimento seguro e de qualidade para os consumidores. “Boas práticas são uma ferramenta para implantação da rastreabilidade na área de produção”, explica a doutoranda. Jéssica destaca que a rastreabilidade garante ao consumidor um produto que tem todos os registros do seu processo de produção. “O consumidor consegue identificar a origem daquele produto e isso também é uma maneira de fidelizá-lo pois se o produtor colocou na gôndola um ótimo produto, certamente esse consumidor, em outra compra, irá procurá-lo novamente”, ressalta.  Além disso, a rastreabilidade pode localizar lotes com possíveis problemas como resíduos de defensivos, entre outros. Ela também fala que as grandes redes de supermercados possuem uma rede interna de rastreabilidade, portanto, aquele produtor que é fiel às boas práticas, possui um diferencial para atender esse tipo de mercado. “A implantação das boas práticas agrícolas tem início a partir de uma mudança de hábito. Não é de um dia para o outro, pois demanda tempo e investimento. Mas tenho a certeza de que isso é um diferencial que irá deixar esse produtor em evidência, o que certamente melhorará seu relacionamento com o consumidor”, frisa a pesquisadora.

 

O conhecimento de nossas técnicas

prepara o produtor para o mercado

 

 A produtora de café e frutas de Carlópolis, Vera Lúcia Walchaki, descreve que veio ao encontro para aprender mais e aprimorar a produção de frutas em sua propriedade. “Estamos aqui para melhorar a nossa produção, aprender armazenar, adquirir boas práticas e receber dicas importantes. “Não temos uma produção grande para venda, mas estamos nos preparando para isso. Portanto, participar de um evento desta proporção nos traz mais conhecimento para cultivar de maneira correta e comercializar o produto”, destaca a produtora. Ela acredita que poderá colocar em prática tudo o que ouviu no encontro. “Acredito que conseguiremos pôr em prática o que foi mostrado aqui. Já tenho certa experiência, pois trabalhei na Secretaria de Abastecimento e também tenho conhecimento da questão de segurança alimentar e suas obrigações. A realidade lá é diferente. Algumas pessoas não compreendem as boas práticas e, por isso, é importante a qualificação dos colaboradores, para que possam atender todas as questões de segurança e oferecer ao consumidor um produto de qualidade”, revela.
 

 Acadêmicos - A acadêmica do quarto ano de agronomia, Camila Freitas, salienta que o Dia de Campo é importante, pois os acadêmicos se prepararam durante o ano todo para apresentar projetos aos produtores e demais colegas. “Esse é o nosso trabalho do quarto ano em relação à fruticultura. Juntamente com o professor, fazemos o manejo do pomar o ano todo. Ao final, nosso professor e a turma realizam esse Dia de Campo. Hoje é o encerramento, onde podemos associar a teoria à prática”, explica Camila. O projeto da acadêmica é voltado ao pessegueiro. “Aqui vamos mostrar aos produtores e colegas as principais pragas e doenças que atacam o pêssego.  Também mostramos novas cultivares e manejo adequado para adubação, podas, entre outras atividades”, descreve. A outra acadêmica do mesmo trabalho, Yasmin Timmermans Scheremetta, explica que existem várias cultivares de pêssego e que é fundamental para o produtor conhecer cultivares novas para utilizar no pomar. “Aqui apresentamos outras cultivares que possuem características diferentes daquelas que ele já usa. Desta forma, ele pode inovar no seu pomar. Posso citar como exemplo a Rube mel, BRS regalo, Da campae, mandinho, entre outras, e também a possibilidade de enxertos”, descreve a acadêmica. Ela cita como diferencial a mandinho, pois essa possui um formato diferente do convencional. “A mandinho possui um formato pequeno e muito achatado. Tanto que quando você olha no mercado, já percebe essa diferença. Tanto essa variedade como as demais possuem sabor doce com leve acidez que é a preferência do brasileiro nas frutas. Portanto, é um fruto que vem para agradar o paladar do consumidor”, descreve Yasmin.
 

Quer saber mais sobre esse assunto? Veja a visita que a equipe Mais Rural fez no Dia de Campo de Fruticultura e uma paradinha no pomar com frutas deliciosas.

 



 

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