Estação de Ponta Grossa ou “Campo do Trigo”

December 10, 2016

 

O agrônomo e coordenador geral do Polo do IAPAR em Ponta Grossa, Roger Daniel de Souza Milléo, explica que no Brasil do início do século passado a cultura de trigo era muito reduzida, devido à grande incidência da ferrugem e ao emprego de variedades não apropriadas às condições de solo e clima nas regiões de cultivo. "Tentando solucionar o problema, em 1920, o Ministério da Agricultura criou duas Estações Experimentais, uma em Veranópolis-RS e outra em Ponta Grossa-PR, cujo principal objetivo era desenvolver novas variedades, mais resistentes e produtivas e também demais estudos que viabilizassem a cultura do trigo no Brasil. Desta forma, a Estação de Ponta Grossa começou a funcionar regularmente em 1921, sendo portanto, uma das primeiras do país. Ambas permanecem em atividade até os dias de hoje”, argumenta o coordenador.
A sede do Polo foi instalada numa área aproximada de 480 hectares, a qual foi doada pelo governo municipal à União, ficando sob a responsabilidade do Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio. Segundo Roger, a Estação Experimental de Ponta Grossa, em seus primeiros anos de atividade, desenvolveu experimentos com mais de trezentas variedades de trigo. “Esses materiais são oriundos da Europa, Estados Unidos, África, Uruguai e de variedades que estavam sendo cultivadas no país, as quais, em sua maioria, evidenciaram a sua não adaptação ao plantio na região. Contudo, foi nesta Estação que se obteve a primeira variedade de trigo que possibilitou uma seleção bem sucedida deste cereal, a PG142”, afirma. A seleção da PG142, por pesquisadores da Estação, resultou no Trigo PG1 ou Polysu em referência a Jorge Polysu que disponibilizou as primeiras sementes para experimentação. “A PG1 foi a primeira variedade selecionada no Brasil, adaptada às nossas condições e que tornou viável o cultivo do cereal. Foi a partir desse trabalho pioneiro, além de outros empreendidos em Veranópolis, que se iniciou o melhoramento genético do trigo que, desde então, foi cultivado no Brasil”, recorda Roger Milléo.
FERTILIDADE - O coordenador explica que a baixa fertilidade dos Campos Gerais, onde foi instalada a Estação de Ponta Grossa, serviu também, no início, de estímulo ao desenvolvimento de estudos pioneiros relativos à adubação. "Estes focavam a adubação química, mediante o emprego de superfosfato de cálcio, cloreto de potássio e salitre do Chile. Além deste, a adubação verde, o emprego de esterco e a terra turfosa de banhado eram utilizados na busca pelas melhores alternativas para o problema da fertilidade dos solos”, desvenda Roger. Ele também comenta que no final da década de 1960, foi nesta Estação que se obteve a primeira variedade de soja do Paraná, a “Campos Gerais”, pelas mãos do engenheiro agronômo Francisco Terezawa. "As sementes chegaram à Estação em estágio avançado de seleção (F5), oriundas dos Estados Unidos, possibilitando seu lançamento em poucos anos. Seu cultivo logo se estendeu por todos os Campos Gerias e Campos de Guarapuava”, relata Roger.
PLANTIO DIRETO - O coordenador também fala que no início da década de 1970, registraram-se nesta Estação os primeiros trabalhos sobre o Plantio Direto. “As primeiras pesquisas em plantio direto na palha foram estendidas da Estação Experimental do IPEAME de Londrina para a Estação de Ponta Grossa, pelo Eng. Agrônomo Milton Geraldo Ramos. A partir de 1974, passaram para a Estação de Ponta Grossa e, em seguida, foram transferidas para o IAPAR, onde são mantidas até o presente”, recorda.
A MUDANÇA - Desde 1978, a Estação de Trigo de Ponta Grossa deixou de pertencer à esfera da União, através de sua subordinação ao Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR, órgão de pesquisa agropecuária mantida pelo governo estadual. Antes disso, estava subordinada à EMBRAPA; ao Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias Meridional – IPEAME; ao Instituto de Pesquisas e Experimentação Agropecuárias do Sul – IPEAS; ao Instituto Agronômico do Sul – IAS e ao Instituto de Experimentação Agrícola.
Roger explica que atualmente a Estação se dedica às culturas de feijão, milho, oleaginosas, cereais de inverno, frutíferas e tem realizado trabalhos nas áreas de agroecologia, engenharia agrícola, socieconomia, herbologia, fertilidade de solos, melhoramento genético, produção de sementes, sistemas agroflorestais e difusão de tecnologias.

 

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