O setor agropecuário tem sido responsável pelo superávit primário da economia brasileira nos últimos anos (IBGE, 2015). Neste seguimento a produção de carne de bovinos tem destaque, visto que atualmente o Brasil é detentor do maior plantel comercial de bovinos do mundo, bem como se tornou o maior exportar de carne bovina do planeta. Apesar da maioria absoluta dos bovinos brasileiros serem criados a pasto, a criação de animais confinados é uma realidade no país, sistema que tem servido como “ferramenta” para acelerar o ganho de peso (GMD) e reduzir o tempo de terminação, possibilitando o abate mais precoce dos animais, o que se traduz em produção de carne com qualidade superior. Nos confinamentos brasileiros, tem crescido o uso de dietas com elevado teor de grãos. O aumento no uso de grãos em detrimento ao uso de forragens nas dietas, tem como objetivo primordial aumentar o GMD e reduzir a idade de abate. No entanto, à medida que se aumenta o teor de concentrado das dietas, aumentam-se os riscos de ocorrência de desordens metabólicas, com timpanismo e acidose ruminal, distúrbios comuns em ruminantes confinados. Para minimizar este problema, uma alternativa é incluir aditivos alimentares nas dietas que modulem a fermentação ruminal, com vistas a diminuir a produção dos ácidos ruminais que provocam acidose, sendo o principal deles o lactato. O aditivo mais utilizado no mundo para esta finalidade é a monensina sódica, ingrediente clássico em dietas com elevado teor de concentrado para ruminantes, apresentado efeito comprovado em diminuir a produção entérica de metano, aumentar a eficiência alimentar e reduzir acidose ruminal. Portanto, o uso de monensina na dieta de ruminantes aumenta em muito a eficiência produtiva e melhora o retorno econômico da atividade. Contudo, devido a questões de saúde pública, em 2006 a União Europeia baniu o uso de antibióticos como promotores de crescimento (OJEU, 2003), sendo os ionóforos uma das classes proibidas, da qual faz parte a monensina sódica. A partir de então, intensificou-se a busca por substâncias com propriedades antimicrobianas que pudessem substituir os ionóforos. Neste sentido, pesquisadores têm explorado as propriedades antimicrobianas dos compostos secundários dos vegetais (CALSAMIGLIA et al., 2007; ARAUJO, 2010), com destaque para os extratos de plantas. O uso destes compostos como aditivos alimentares, tem como principal vantagem o baixo risco de aparecimento de resistência microbiana. A avaliação in vitro de alguns óleos essenciais, como os extraídos de aroeira-vermelha (Schinus terebinthifolius) folha e arnica demonstrou claro efeito antimicrobiano destas substâncias (ARAUJO, 2010). Dentre os efeitos observados, destacam-se o aumento na concentração ruminal de propionato e a diminuição na produção de metano. É amplamente conhecido o conceito de que a produção de CH4 gera perdas energéticas ao animal, variando entre 2 e 12% da energia bruta total consumida. Araujo (2010) demonstrou claramente o grande potencial que extratos de plantas brasileiras apresentam como aditivos alimentares para ruminantes. Os achados deste autor “abriram portas” para a realização de outros estudos com óleos essenciais em dietas para ruminantes no Brasil. Atualmente, na região dos campos gerais, pesquisadores do Departamento de Zootecnia em parceria com Pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR vêm desenvolvendo pesquisas no intuito de investigar os efeitos do fornecimento de óleo essencial de capim limão sobre a digestibilidade dos nutrientes, comportamento ingestivo e metabolismo ruminal de ruminantes, neste caso utilizando ovinos canulados no rúmen como modelos experimentais, em breve os resultados desta pesquisa estarão disponíveis, os quais, caso as hipóteses propostas se confirmem, poderão habilitar o óleo essencial de capim limão como aditivo alimentar para ruminantes, podendo ser utilizado em substituição aos ionóforos comumente encontrados no mercado nacional. Vale ressaltar que grande parte dos compostos secundários de plantas possui o status GRAS (generally recognized as safe) para consumo humano, o que possibilita ser uma alternativa alimentar natural e segura.

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