MAPA reconhece
o Purunã como raça

 

 O Purunã é um animal composto de quatro raças e traz em seu sangue rusticidade e precocidade. Entre as raças estão o Charolês, Caracu, Aberdeen Angus e Canchim.

 

A raça Purunã desenvolvida pelo IAPAR em Ponta Grossa é resultado de mais de 30 anos de trabalho, que começou com o experimento genético. O Purunã é formado por quatro raças: Charolês, Caracu, Aberdeen Angus e Canchin. O nome da nova raça se refere à Serra do Purunã, onde fica a Fazenda Modelo do IAPAR, local onde todo o trabalho foi desenvolvido. A raça incorpora em seu sangue um avanço genético trazendo o que há de melhor em cada raça. Além do mais, como possui um rebanho fundador, nunca será fechado. Desta forma, evita problemas de consanguinidade. Este animal adapta-se muito bem tanto ao calor como ao frio, mostrando assim sua rusticidade e tolerância ao carrapato e outros parasitas. Quanto à carcaça, a raça tem boa quantidade de gordura entre 26 a 28% do peso. Possui carne macia de ótima qualidade. O sucesso do Purunã é de uma equipe multidisciplinar, coordenado pelo Dr. Daniel Perotto e outro grande responsável pela criação da raça, o zootecnista José Luís Moletta.
O evento de reconhecimento foi realizado no Palácio Iguaçu, em Curitiba, e foi presidido pelo governador Beto Richa. O superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná, Alexandre Orio Bastos, entregou ao governador a portaria que reconhece a raça e dá autonomia aos criadores para expansão do rebanho no País. A Associação de Criadores de Gado Purunã (ACP) recebeu credenciamento para fazer o controle genealógico da nova raça.
O governador destacou a excelência do trabalho realizado pelo IAPAR e prestou homenagens a equipe responsável pelo desenvolvimento da raça bovina. “A certificação e o reconhecimento oficial consagram o IAPAR e isso é um orgulho para nosso Estado”, declarou Richa na solenidade.
PESQUISA - O coordenador do projeto e pesquisador da raça, Daniel Perotto, acredita que o Purunã faz a diferença na raça de corte no Brasil. “Ele é uma raça que une as principais características importantes na produção de carne bovina. Como ele é composto que poderá ocupar no Paraná e no Brasil o segundo lugar em importância nas raças de corte, atrás somente da Nelore. ”, explica entusiasmado o pesquisador. Para Perotto, o reconhecimento da raça é muito importante para os criadores, pois o registro ajuda a valorizar a raça e garante um preço diferenciado no mercado. “Para você ter uma ideia, hoje um touro sem registro é vendido por R$ 4 mil e um animal registrado de uma outra raça chega a ser vendido a R$ 8 mil, portanto, o registro duplica o valor do animal. ”, esclarece. Ele acredita que agora, depois do reconhecimento, a organização da raça para difusão ficará mais fácil. “Quem concede o registro é o MAPA, porém ele faz uma delegação e a Associação de Criadores tem a incumbência de fazer o registro dentro de um regulamento estabelecido, que passa pelo crivo do Ministério da Agricultura. Portanto, a partir de agora a Associação de Criadores de Gado Purunã irá gerir a raça. ”, descreve Perottto.
O pesquisador descreve que o sentimento que vem com o registro é de realização. “Me sinto realizado com o registro. Isso devo a minha persistência, pois vim do mestrado em 1976. Tive a sorte de fazer o mestrado em uma instituição que é referência em gado de corte em clima tropical que é a 'Texas Imense University’. Todo o conhecimento para avaliar cruzamentos e formar raças eu trouxe de lá, portanto, vim de lá com uma linha de pesquisa que consegui implementar. Com a criação do IAPAR eu vim para instituição e iniciei este trabalho e me sinto realizado. ”, relata Perotto.
PRINCIPAIS DESAFIOS - A perspectiva é que em quatro anos pelo menos 10 mil matrizes de gado Purunã já estejam registradas. Atualmente, existem exemplares em Patos de Minas (MG) e em São Paulo e criadores da Bahia estão dispostos a fazer parceria para avaliação da genética no estado. O desafio, segundo Perotto, é ter alguns criadores que possam produzir e comercializar animais puros. “Isso é importante para que auxiliem o IAPAR na difusão e para termos sêmen disponível em centrais de inseminação. Precisamos também ter criadores em regiões estratégicas, como Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, entre outras. ”, explica o pesquisador. Ele acredita que o momento é do Purunã e a raça tem que se apresentar ao Brasil e, para isso, precisa de disponibilidade de animais puros, pois segundo Perotto, a procura pela raça é grande e com o registro isso irá aumentar.
O IAPAR estima que, em média, 3 mil a 4 mil animais estão sendo criados. Desde 2008, o instituto vem ofertando touros, mas sua atuação ainda é limitada no mercado, segundo o zootecnista e pesquisador José Luiz Moletta, um dos criadores da nova raça.
ASSOCIAÇÃO - A partir de agora a Associação de Criadores de Gado Purunã é quem irá gerir a raça. Segundo o presidente da entidade, Piotre Laginski, com a entrega do registro oficial aumenta a perspectiva de parcerias para disponibilizar a genética no mercado. Hoje, existem embriões e sêmen em laboratórios, prontos para serem comercializados. Para o presidente, a raça agora tem tudo para ganhar novos criadores e ajudar no crescimento da pecuária de corte.  “Agora a Purunã ganha o mundo”, disse Laginski.
O empresário de mineração e pecuarista de Minas Gerais, Geraldo Magela, explica que conheceu a raça através de uma reportagem e procurou o IAPAR. “Busquei a instituição e conversei com os doutores Molletta e Perotto e vi a oportunidade de criar uma raça e participar do desenvolvimento dela. Levei para Minas e tem dado muito certo, mesmo estando no berço do Nelore. ”, descreve sorridente. Os animais têm se adaptado muito bem na área mais quente, pois sua propriedade fica mais próxima do norte do Brasil. “A adaptação foi fácil. O local é íngreme, com pasto natural e o gado tem se desenvolvido muito bem, tanto que o ganho de peso é maior que do gado que trabalhávamos na região. ”, explica Magela. Ele acredita que o brasileiro irá pegar gosto pela raça e, em breve, o Purunã deve ser uma das raças mais criadas no país. “O Purunã veio para ficar e somar, pois, comparado com raças que estão há mais anos, observamos que os benefícios para os pecuaristas são muitos, sem contar que o consumidor terá uma carne de ótima qualidade. ”, revela.

 

 

 

 

O coordenador do projeto e pesquisador da raça Daniel Perotto, recebe   uma estueta em comemoração  ao reconhecimento da raça

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Zootecnista pesquisador da raça o zootecnista José Luís Moletta, recebe   uma estueta em comemoração  ao reconhecimento da raça.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Gerente da Fazenda Modelo do Iapar em Ponta Grossa, João Motta, recebe   uma estueta em comemoração  ao reconhecimento da raça.
 

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