Operação Carne Fraca

August 8, 2017

 A carne brasileira é comercializada para mais de 150 países do mundo e os prejuízos exaustivamente discutidos em todas as esferas do país.

 

Autor: Nicolle Fridlund Plugge, Auditora Fiscal Federal - Agropecuário do Ministério da Agricultura, Pecuária e abastecimento, Professora do Departamento Medicina Veterinária do CESCAGE. Janaina Socolovski Biava Professora do Departamento de Zootecnia da UEPG.

 

A crise na cadeia produtiva deflagrada pela “Operação Carne Fraca” gerou prejuízo ao setor agroexportador brasileiro, aos produtores rurais, à imagem do Brasil perante os grandes mercados compradores de nossos produtos e também aos consumidores mundiais. Nos últimos meses muito se falou das perdas econômicas decorrentes da investigação da Polícia Federal em alguns frigoríficos do país. Grandes empresas e marcas conhecidas tiveram seus nomes expostos na mídia, sendo alvo de denúncias graves envolvendo qualidade de seus produtos e possíveis riscos à saúde pública. Os impactos no mercado nacional e internacional foram sentidos por todo o setor, já que o Brasil ocupa uma importante posição no ranking mundial de produção e exportação de produtos de origem animal. A carne brasileira é comercializada para mais de 150 países do mundo e os prejuízos foram exaustivamente discutidos em todas as esferas do país. Preocupou-se com as quedas nas ações na bolsa, com a diminuição dos índices de exportação, as eminentes restrições de comércio de importantes importadores, possíveis demissões nas indústrias e prejuízos econômicos em toda a cadeia produtiva. Mas há um outro número expressivo dentro deste contexto todo. Um número associado a um personagem silencioso que foi esquecido em meio a deflagração dessa crise nacional. Setenta bilhões de seres sencientes são abatidos todos os anos pela indústria da carne. As condições de criação destes animais, as etapas críticas que envolvem o carregamento, transporte, descarregamento e espera até o momento do abate são desconhecidas por muitos dos consumidores de carne. Os motivos que permeiam a preocupação com o bem-estar animal pelo setor produtivo hoje incluem o efeito potencial que este pode ter na produtividade e qualidade dos alimentos e em possíveis sanções comerciais, porém não se pode negligenciar a questão ética que envolve a produção animal em escala para obtenção de alimentos. A carne com “qualidade ética” seria oriunda de animais que foram abatidos e tratados em condições de bem-estar e criados em condições sustentáveis e ambientalmente corretas. O problema é que, embora práticas e recomendações de bem-estar venham sendo constantemente divulgadas por organizações internacionais e as normas internas estejam sendo revisadas para contemplar parâmetros legais de avaliação do bem-estar e abate humanitário, as condições de criação e abate ainda são cruéis em muitos lugares do Brasil. E, no contexto das exportações, importantes mercados compradores da carne brasileira possuem exigências específicas durante o abate. O choque entre os requisitos éticos e atendimento à preceitos religiosos é inevitável. Alguns dos principais compradores da carne brasileira, os mercados árabe e judeu, não permitem a prévia insensibilização dos animais para abate. O foco aqui não é discutir o contexto religioso da obtenção do alimento, importante nos abates Halal e Kosher, porém não há como se negar a crueldade na degola de um animal consciente. E diante de tantos números divulgados nesta operação, há de se pensar nas bilhões de vidas que são retiradas de forma violenta todos os anos.

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