Nicholas Vital, autor do livro "Agradeça ao agrotóxico por estar vivo”, fez palestra em Ponta Grossa

 

 A palestra mostrou, com dados técnicos e sem achismos, que a produção de alimentos deve ser segura, sendo ela convencional ou orgânica.

 

O jornalista Nicholas Vital, autor do livro “Agradeça ao agrotóxico por estar vivo”, fez palestra na Associação dos Eng. Agrônomos dos Campos Gerais (AEACG).  O encontro contou com a presença de produtores, acadêmicos, técnicos e comunidade para conhecer um pouco mais sobre o assunto, que gera certa polêmica. O livro vem derrubar mitos sobre a injustiça que os defensivos e fertilizantes utilizados no campo sofrem por ativistas radicais. O radicalismo demoniza a utilização de químicos e os trata como a fonte de todos os males e enaltece a alimentação orgânica como a correta. O livro vem mostrar que o equilíbrio e boas práticas é que deixa o alimento saudável e apto para o consumo. Pois o orgânico, se não observar as boas práticas e certos cuidados, pode causar intoxicação e levar à morte.
A utilização de defensivos e fertilizantes é fundamental para o controle de pragas e doenças que, durante séculos, devastaram plantações, são responsáveis pelo aumento na produtividade das lavouras e contribuem para a não abertura de novas áreas para plantio.
O jornalista fez uma apuração sobre os fatos e apresenta isso tanto em seu livro como nas palestras. De início, ele já indaga os participantes: "Esqueça o que você já ouviu falar e responda: Você conhece, ou ao menos já ouviu falar, de alguém que tenha ido a um hospital por ingestão de resíduos de agrotóxicos em alimentos convencionais? Mesmo que seja um primo do irmão do amigo do vizinho? Aposto que não.”, questiona o autor. Ele fala que os agrotóxicos foram responsáveis por 4,5% dos mais de 42 mil casos de intoxicação registrados no Brasil em 2013. “Dos 1907 incidentes envolvendo agroquímicos, 971 foram tentativas de suicídio. Desses, apenas 64 conseguiram se matar. Já os medicamentos foram responsáveis por 28% dos casos de intoxicação, ou seja, 12 mil casos. Os produtos de limpeza respondem por mais 8,5%, totalizando 3.600 casos. Ou seja, quem deseja se matar usando agrotóxico, é uma péssima ideia.”, revela o jornalista.

 

Falta de informação é a arma
principal para difamar o agronegócio

 

"Dos 1907 incidentes envolvendo agroquímicos, 971 foram tentativas de suicídio. Desses, apenas 64 conseguiram se matar. Ou seja, quem deseja se matar usando agrotóxico, é uma péssima ideia.”, Jornalista, Nicholas Vital.

 

O jornalista destaca que a desinformação da maioria da população é a arma principal para difamar o agronegócio. “A notícia ruim é a que o jornal vende. A imprensa nunca se interessou pelo outro lado da história. O agronegócio, como um todo, nunca se comunicou de forma eficiente com o público urbano, o que permitiu que alguns mitos se propagassem. Uma das teorias mais bizarras é a que diz que cada brasileiro ingere 5,2 litros de agrotóxicos por ano. Fosse verdade, todos nós já estaríamos mortos há muito tempo.”, argumenta Vital. Ele explica que o número é resultado da divisão do volume de agroquímicos vendidos, estimado pelos autores do texto em 1 bilhão de litros, pela população brasileira, de 192 milhões de habitantes na época. “Isso se trata de um cálculo simplista, que nos permitiria dizer também que cada brasileiro fuma vinte maços de cigarro por ano. No Brasil, apenas quatro culturas concentram quase 80% do uso de agroquímicos: soja (52%), cana-de-açúcar (10%), milho (10%) e algodão (7,5%). No total, menos de 1% da soja produzida no país chega à mesa dos brasileiros. Com o milho acontece a mesma coisa. Aquela espiga que você come na praia ou usa para fazer um creme de milho representa uma fração ínfima da produção. No caso da cana-de-açúcar, a maior parte é transformada em etanol, mas a destinada à produção de açúcar também é livre de resíduos, devido ao processo de refinamento. Já o algodão vira tecido, não oferecendo qualquer risco aos consumidores. A matemática parece não ser mesmo o forte dos ambientalistas.”, revela o jornalista. Quando questionado sobre se o alimento orgânico é inofensivo, ele faz ponderações. “Tudo tem que ser feito com equilíbrio e seguindo certas normas. Como destaquei, a desinformação é a arma principal. Poucas pessoas sabem que as culturas orgânicas também utilizam agroquímicos. A única diferença entre os defensivos químicos e os aprovados para a agricultura orgânica é que, enquanto os primeiros são formulados, misturados a outros ingredientes e amplamente testados, os utilizados na agricultura são utilizados da forma como são encontrados na natureza. Porém, não quer dizer que eles não sejam tóxicos.”, argumenta Vital. O jornalista relata que existem centenas de substâncias perigosas, como enxofre, sulfato de cobre, piretrina, carvão, pó de fumo, entre outras, que são largamente utilizadas no cultivo de alimentos orgânicos. "No Brasil, um dos produtos mais usados nessas plantações é o óleo de neem, um inseticida natural que possui mais de 150 compostos bioativos. Se é eficiente contra os insetos, também pode ser fatal para o homem. Mesmo sendo um composto orgânico, o neem possui uma dose letal de apenas 14 ml/kg, isso significa que a ingestão de 1 litro desse óleo seria o suficiente para matar um homem de 70 quilos.”, cita como exemplo.  Ele relata que, em 2011, brotos de feijão orgânicos contaminados pela bactéria E. coli foram responsáveis por ao menos 35 mortes na Alemanha.
O gerente de marketing do Grupo Pitangueiras, Marcelo Scutti, acredita que a informação é a melhor ferramenta para difundir tecnologias e esclarecer mitos e, por isso, o grupo, junto com outros parceiros, trouxe a palestra para Ponta Grossa. “A nossa intenção com a palestra é dar subsídios confiáveis aos produtores e mostrar o que o agricultor faz pelo mundo. Eventualmente as pessoas precisam de um médico, advogado ou outro profissional, mas todos nós precisamos dos agricultores todos os dias. Portanto, a ideia é desmistificar o agronegócio que gera emprego, renda e alimenta o Brasil, e que infelizmente é muito criticado.”, revela o gerente do Grupo Pitangueiras.
O presidente da AEACG, Rulian Bernardi Berger, destaca que é uma das funções da associação levar informação correta, não só aos agrônomos, mas também à toda comunidade e, por isso, fizeram a parceria para proporcionar a palestra. “O agronegócio, ao longo dos anos, vem ganhando importância no Paraná e no Brasil e, por esta evidência, acaba se tornando criticado e palestras como esta ajudam as pessoas a conhecerem melhor o nosso ramo, que gera o alimento nosso do dia a dia. Portanto, as pessoas podem ficar tranquilas com os alimentos produzidos na nossa região, pois temos profissionais qualificados que respeitam todas as normas técnicas e manejo para proporcionar um alimento seguro.”, revela o presidente.


 

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