Carne de frango é a que sofre maior desvalorização no mercado internacional

 

De acordo com os dados divulgados ontem pela FAO, em julho passado a carne de frango foi a única a registrar evolução positiva de preço. Isto depois de cinco baixas consecutivas que fizeram com que em junho se retrocedesse ao menor patamar em mais de uma década (mais exatamente, ao menor valor desde março de 2009).

O aumento – de 2,36% em relação a junho passado – não altera a marcha do produto no mercado internacional, visto que o valor atingido em julho de 2020 ainda ficou quase 19% aquém do registrado um ano antes, além de corresponder a uma desvalorização superior a 12% nos primeiros sete meses deste ano.

Também não se altera a constatação de que, nos últimos 12 meses, a de frango foi a carne que sofreu maior desvalorização. Para comprovar, basta rápido olhar ao gráfico abaixo.

No ano passado, em julho, a carne de frango apresentava relação de preços muito próxima das carnes bovina e suína. Ou seja: comparativamente aos 100 pontos registrados no triênio 2014/2016 (nova base de preços da FAO), alcançava 102,05 pontos, contra 101,34 pontos da carne suína e 99,17 pontos da carne bovina. Dessa forma, o melhor desempenho, então, era o da carne de frango, com diferença a seu favor de 0,71 ponto percentual em relação à carne suína e de 2,88 pontos percentuais em relação à bovina.

 

Essa situação começou a sofrer reversão ainda em 2019, mas se intensificou no decorrer de 2020. É verdade que os preços das outras duas carnes deram os primeiros sinais de retrocesso no decorrer de 2019 e, com isso, as três chegaram a julho com uma variação anual de preços negativa. Porém, frente à redução de 18,69% da carne de frango, a redução da carne suína (sem dúvida, favorecida pelo surto de peste suína africana) foi de 10,5% e a da carne bovina de apenas 1,05%.

Em síntese e comparativamente aos preços da carne de frango, a carne bovina reverteu seus 2,88 pontos negativos para 15,16 pontos positivos; e a carne suína (que há um ano perdia por 0,71 ponto percentual) agora tem a seu favor 7,69 pontos percentuais.

Embora possa não agradar, é oportuno notar que o Brasil, como principal exportador mundial da carne de frango, tem papel fundamental nessa (de)formação de preço. E a própria FAO mostra isso ao apontar que a tênue recuperação de preço observada em julho passado foi reflexo de cortes na produção brasileira, ocasionados pelo aumento de custos mas, também, pela indefinição do mercado frente à pandemia de Covid-19.

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