Boletim CNA destaca alta nas exportações de açúcar e frutas e auxílio emergencial para agricultores


As exportações brasileiras de açúcar tiveram alta de receita de 84% em julho em relação ao mesmo período de 2019. É o que mostra o boletim semanal da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), referente ao período de 3 a 7 de agosto.

Contribuíram para este resultado a maior destinação de cana pelas usinas para a produção de açúcar, safra adiantada e problemas na produção dos principais países concorrentes do Brasil.

Nesta semana, o trabalho da CNA junto ao Legislativo foi concluído com a aprovação do Projeto de Lei 735/2020, que destina o auxílio emergencial para agricultores familiares prejudicados pela pandemia da Covid-19. O texto aguarda sanção presidencial.

As exportações de frutas e nozes não oleaginosas em julho tiveram recuperação frente à pandemia e cresceram 35% em volume e 11% em valor na comparação com o mesmo mês do ano passado.

As principais regiões produtoras já se preparam para intensificar os embarques a partir da próxima semana, com todos os cuidados recomendados para evitar contaminação de trabalhadores pelo coronavírus.

O PIB do agro cresceu 4,65% no acumulado de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período de 2019, puxado pela alta de preços do setor primário (dentro da porteira).

Congresso Nacional

O Senado Federal aprovou o Projeto de Lei 735/2020, que destina auxílio emergencial para a agricultura familiar em razão da pandemia e prorroga o pagamento de dívidas dos agricultores. Desde o início de sua tramitação, a CNA tem atuado em favor da aprovação dessa matéria, que agora vai à sanção presidencial.

Outra matéria aprovada pelo Senado foi o texto do Protocolo de Nagoia (Projeto de Decreto Legislativo 324/2020), um avanço em relação ao acesso a recursos genéticos e à repartição dos benefícios obtidos com a exploração da diversidade biológica. Após sanção presidencial da matéria, o Brasil terá garantia do uso dos recursos genéticos para a produção agropecuária de soja, milho, algodão, cana-de-açúcar, diversas raças de animais da pecuária, entre outros benefícios. E terá, ainda, a garantia da soberania sobre seus recursos genéticos e a exploração de plantas, animais ou micro-organismos nativos por empresas ou organizações estrangeiras.

Dia dos Pais

A CNA está promovendo uma campanha de comunicação para o Dia dos Pais com dicas de comemoração e de presentes que valorizam o Agro brasileiro. Dentre elas estão: cestas de café da manhã com produtos lácteos, frutas, flores, café e pães; churrasco, com uma variedade grande de produtos cárneos; e bebidas variadas como vinho, cerveja e cachaça, produtos tradicionais do Brasil. Acesse o Instagram do Sistema CNA para ver os vídeos da campanha e aproveite as dicas para presentear nessa data!

PIB

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio brasileiro, divulgados esta semana (CNA/Cepea), apontam crescimento de 4,62% no acumulado de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período de 2019.

O resultado foi puxado principalmente pela atividade primária (dentro da porteira), que teve expansão de 11,67% nos cinco primeiros meses de 2020. A alta de preços foi um dos fatores que impulsionou o PIB tanto da agricultura quanto da pecuária. Para saber mais, acesse aqui.

Hortaliças e frutas

As menores temperaturas vêm desacelerando a colheita e reduzindo a oferta de uva em importantes regiões produtoras como o Vale do São Francisco. Isso tem proporcionado leves recuperações de preços, ainda que a demanda esteja enfraquecida devido às medidas de contenção da Covid-19.

As exportações de frutas e nozes não oleaginosas no mês de julho já apresentaram sinais de recuperação, com crescimento de 11% em valor e 35% em volume em relação ao mesmo mês do ano passado. Porém, importantes polos produtores de frutas como Rio Grande do Norte, Ceará e Vale do São Francisco preparam para intensificar as exportações a partir da próxima semana. Por conta da pandemia, os esforços estão sendo direcionados para aumentar os cuidados com a saúde dos trabalhadores. Procedimentos rígidos de higiene estão sendo adotados nas hospedagens, meios de transportes e packing houses.

As indecisões dos governos estaduais quanto à retomada das atividades têm gerado oscilações nas demandas por hortaliças e frutas, principalmente nos estados da Região Sul e São Paulo.

Diante disso, parte dos produtores de hortaliças está adequando o tamanho da área de plantio à demanda de forma a equilibrar o mercado e evitar quedas de preços. Os produtores de alface e tomate estimam uma redução de área próxima a 25% e 5%, respectivamente, para os meses de maio, junho e julho. O resultado será uma diminuição da oferta desses produtos para as próximas semanas.

O modelo de Feira Segura do Sistema CNA continua operante e com boa receptividade nos estados. Em Carangola (MG) ocorreu a primeira Feira Segura do município e a terceira em Minas Gerais. O evento contou com 26 feirantes ofertando produtos embalados e diversificados, desde hortaliças e frutas in natura a processados como pães, bolos, doces, farinhas e cafés, entre outros.

Flores

O setor de flores de corte tem comercializado 60% do volume que era comum para o mesmo período de 2019. Assim, muitos produtores têm feito testes com o plantio de hortaliças. As áreas destinadas aos testes, na maioria, são inferiores a um hectare, porém utilizadas para plantio de hortaliças de alto valor agregado.

O setor de flores de vaso encontra-se mais otimista e está conseguindo comercializar quase 100% da produção. A demanda apresenta sinais de reaquecimento devido às mudanças de comportamento dos consumidores, que estão ficando mais tempo em casa.

Commodities

Os preços dos etanóis hidratado e anidro permanecem firmes, sustentados pela reação nas vendas do biocombustível na ponta de distribuição. No entanto, o consumo de etanol hidratado no ano, segundo a ANP, tem queda de 17% em relação ao mesmo período de 2019.

O açúcar continua com cotações firmes por causa do mercado externo em alta. Com um mix mais açucareiro, safra mais adiantada e problema de produção nos principais concorrentes, a receita cambial com as exportações brasileiras de açúcar aumentaram 84% em julho de 2020 em relação ao mesmo período do ano anterior.

A safra brasileira do café arábica 2020/2021 supera 70% da área colhida, enquanto a colheita de conilon se aproxima do fim. De acordo com a Conab, os estoques privados de café estão com 13,1 milhões de sacas, o que corresponde ao estoque de passagem contabilizado até 31 de março para o arábica e conilon nas proporções de 87% e 13%, respectivamente.

A Organização Internacional do Café (OIC) revisou o balanço de oferta e demanda para a temporada 2019/2020. A previsão é de um déficit de 486 mil sacas de 60 kg, o que impulsionou as cotações nos mercados externo e interno. No mercado físico, o café arábica chegou a ficar acima de R$600/saca para as principais praças do país e o conilon apresentou cotações acima de R$370/saca.

No mercado da soja, as cotações de óleo, farelo e do grão seguem em patamares recordes nominais em muitas regiões do Brasil. A demanda doméstica aquecida e as compras da China têm sustentado os preços. Para o óleo, a procura vem especialmente para a produção de biodiesel, o que tem aumentado a disputa pelo produto.

O milho continua com preços valorizados pela demanda sustentada no mercado físico e pelo dólar valorizado nos últimos dias, mesmo com o aumento de disponibilidade pela colheita da segunda safra. Diante desse cenário positivo, o produtor brasileiro já negociou 70% da produção.

Aves e suínos

O preço do frango vivo pago ao produtor em São Paulo permaneceu estável na primeira semana de agosto, a R$3,90/Kg, indicando que o mercado encontrou equilíbrio entre oferta e demanda.

O mercado de ovos registrou alta de 14% desde a última semana e o preço da caixa de 30 dúzias paga ao produtor no interior de São Paulo atingiu R$81,00.

Na suinocultura, a baixa oferta de animais prontos para o abate e o aumento da demanda com a chegada do inverno e, em especial o Dia dos Pais, seguem refletindo nas principais bolsas suínas estaduais, que fecharam em alta em Santa Catarina (4%), São Paulo (9%),Minas Gerais (6%), Paraná (1%) e Rio Grande do Sul (1%).

Parte dos suinocultores começam a recuperar os prejuízos acumulados nas crises de 2016 e 2017, mas não operam com lucro, conforme foi constatado nos painéis de levantamento de custos de produção do Projeto Campo Futuro (CNA/Labor Rural/UFV), realizados nesta semana em Rio Verde (GO).

Lácteos

A reabertura gradual de bares, restaurantes e hotéis e a manutenção do auxílio emergencial está mantendo aquecida a demanda por derivados lácteos. Desta forma, o preço do leite segue se valorizando. Segundo dados do CEPEA/ESALQ/USP, o preço médio do Brasil em julho foi de R$ 1,75/L, o que corresponde a um aumento de 16% em relação ao mês passado.

O leite spot também registrou aumento de 7% em relação à quinzena passada, negociado a R$ 2,46/litro. O leite UHT teve valorização de 2,9%, e o queijo muçarela, de 5,4%, sendo negociados a R$ 3,97/litro e a 26,99/quilo, respectivamente.

Boi Gordo

A falta de animais prontos para abate segue deixando o mercado físico do boi gordo em alta. Em São Paulo, as cotações estacionaram, indicando um limite máximo de preço pela boiada entre R$ 225 e R$ 230/@. Contudo, nas demais regiões do Brasil, o preço continua subindo, com preços chegando a R$ 235/@ em Minas Gerais.

Dados preliminares indicam novo recorde de exportação de carnes bovinas, superando o mês de novembro/19, recorde anterior.

Pescado

A proximidade do Dia dos Pais e a reabertura de bares e restaurantes fez com que o mercado de pescados se aquecesse esta semana (Ceagesp). O destaque foi para o camarão branco, que registrou alta de 14% no mesmo período.

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