Gargalo na cadeia de insumos e matérias-primas começa a atingir agroindústrias



De acordo com pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), referente ao mês de outubro deste ano, o recuo na demanda no mercado de insumos no começo da pandemia e a inesperada recuperação alguns meses depois criou um gargalo no setor, que afeta desde a indústria de móveis, plásticos, metal, têxteis, entre outras. Isso já afeta algumas agroindústrias, principalmente no fornecimento de embalagens plásticas e de papel, além de peças para máquinas.

"As cadeias produtivas estavam desmobilizadas; produtores e fornecedores de insumos contavam com poucos produtos em estoque. Isso gerou escassez e aumento dos preços de insumos neste período de retomada econômica", informou a CNI no estudo.

No levantamento, 44% das empresas consultadas pela CNI afirmam que estão com dificuldades em atender algum cliente, deixando, ou demorando para atendê-los. A principal dificuldade é a falta de estoque, relatada pela maior parte das empresas pesquisadas pela instituição.

Das empresas de material plástico, 62% relataram estar com dificuldades em atender os clientes, ou demoram para atender à demanda. Das indústrias deste setor, 84% das indústrias estão enfrentando problemas para conseguir insumos ou matérias-primas produzidas no país, sendo que 43% reportaram "muita dificuldade".

De acordo com a Lar Cooperativa Agroindustrial, "acendeu a luz amarela". Em nota, a Lar informou que já entrou em contato com seus fornecedores e está cotando preços de embalagens, mantendo o planejamento e fazendo encomendas em um prazo maior.

"A cooperativa C.Vale tomou precauções 90 dias atrás antecipando pedidos, alertada pelos fornecedores pela possibilidade de dificuldades na entrega e também aumentou estoques de embalagens para se precaver, já que há atrasos na entrega pela alta no consumo mercado interno e aumento da demanda para final do ano", informou a cooperativa.


No terceiro trimestre de 2020, na comparação com o segundo, 95% das indústrias de plásticos consultadas apontaram aumento no preço médio de insumos e matérias-primas. Esta questão atingiu também 93% das empresas de máquinas e equipamentos que participaram da pesquisa. A cooperativa C.Vale explicou, por meio de nota, que "peças e equipamentos de reposição fabricados em alumínio, aço e cobre 30% mais caras por escassez de matérias-primas".

"Efetivamente está faltando matéria-prima para fabricação das embalagens. À nível de custo sempre impacta, mas ainda não é significativo na Lar. Quem costuma comprar como se diz 'da mão pra boca' estará sujeito a se apertar no suprimento de embalagens e ter um custo mais alto", disse Irineo da Costa Rodrigues, diretor-presidente da Lar.

A cooperativa C.Vale também apontou que fornecedores de plástico e papel estão pedindo 60 a 90 dias para entregar embalagens, com aumento de custo 10% já repassado às embalagens e mais 10% agora para dezembro.

No caso da Cooperativa Agroindustrial Consolata (Copacol), em função de planejamento e parceria com os fornecedores, os estoques estão regulares. Entretanto, a Cooperativa informou que "o segmento de embalagens, desde de agosto deste ano, vem sendo impactado pela escassez de matérias-primas, como aparas no caso do papelão e resinas no plástico, acompanhado por um aumento súbito das demandas devido a retomada da economia".

A expectativa, conforme nota emitida pela Copacol, é de que a partir de abril de 2021 o mercado de embalagens esteja operando com mais normalidade para atender os clientes.


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